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Copa é muitíssimo melhor que cozinha! 

       Rosa Pena


 

 

 

Pois é: de quatro em quatro anos a copa do mundo, e você é uma mulher que não suporta futebol, mas o seu bofe preferido adora, então você entra logo em pânico. Acabaram-se as idas ao cinema, teatro, jantares, sexo fora de hora; sim, minha amiga, você pode comprar a calcinha vermelha mais incendiante do mundo que ele não vira mais o diabo. As mãos estarão possuídas pelo desejo de apertar sofregamente o controle remoto, independentemente do Brasil jogar ou não. Seu bofe predileto vai torcer para Camarões, não empanado, vai virar sueco se for importante à vitória para a nossa próxima rodada, vai vibrar com a derrota da França, mesmo que sempre tenha dito que ela era sua segunda pátria no coração.

Ele vai ver todos os jogos, todinhos, até os que não fazem diferença alguma para a nossa seleção. Vai tomar muita cerveja, vai arrotar tudo que tem direito, vai vestir a camisa da seleção, mesmo suadíssima, vai colocar bandeirinhas no espelho do carro, vai se lixar para sua TPM. E agora mulher? Você nem é José pra dizer a festa acabou!

Tá só começando.

Aprenda a gostar imediatamente de futebol. Como? Não imagine homens grandes correndo atrás de uma bola. Imagine 44 coxas saradas e 22 bundas, fora às dos reservas, técnicos, juízes e até bandeirinhas. Na última copa tinha um bandeirinha italiano que rendeu altas fantasias pós-copa. Mentalmente comece se lembrando das coxas do Roberto Carlos e esqueça os dentes dos Ronaldinhos, fixe-se apenas na parte inferior de cada um. Muita massa muscular. Esse é o primeiro passo para aprender a adorar futebol.

Outra coisa extremamente graciosa é ver os meninos paradinhos com as mãos protegendo seus bilauzinhos na cobrança de faltas. Lindo de morrer este instinto de preservação do patrimônio masculino. Ai, que coisa linda! Passe a olhar os bicos e birras dos jogadores, as gingas de corpo, principalmente as reboladinhas em cada passe que, num passe de mágica, você não conseguirá mais parar de olhar. Jogue seus grilos para escanteio, joga solta, sem muitas obrigações defensivas, sem muito esforço, nem cara fechada. Lembre-se que é jogo sério, seriíssimo, não entre numa de Pelada, mas, mesmo assim, depile-se caso a pelada venha a ser você subitamente numa mudança de tática dele. Não fale besteira, como, por exemplo, que sua mamãe está com a espinhela caída. Vai ouvir bem feito, não morreu porque Deus está assistindo a Copa. Esqueça a meia liga, pois ele tá ligado mesmo é em meia de ligação, ponta-de-lança, não a ponta da lança que você gosta tanto entre lençóis no mano-a-mano. Nem tente um tom novo nos cabelos, pois ele está aflito no cabeceio do Thierry Henry (não vou dizer quem é; coloque no Google se quiser saber). A calcinha vermelha deve ser substituída por uma com a estampa da bandeira do Brasil. Vai que na hora do gol ele quer beijar a bandeira, você só levanta a camisolinha e o gol vira seu. De placa! 

Transforme-se numa grande articuladora de jogadas. Se de todo ele não chutar dentro da sua área ele é gay, gayzão. Boiola! Você não perdeu grande coisa.

E mais, copa é sempre muitíssimo melhor que cozinha. E mais ainda! Varonil nessa hora tem que ser mesmo a nossa pátria mãe gentil.

Salve salve o Brasil!



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Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 22/05/2006
Reeditado em 10/06/2010
Código do texto: T160907
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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