SOU EU, DONA ZÉLIA

Nada de achar difícil. Você me pediu um tema e eu já dei. O tema é este mesmo e não vou mudar: O ÚLTIMO COPO DE ÁGUA. – O que custa mudar o tema para outra coisa?
- Custa que não passou nada melhor pela minha cabeça e este título é lindo. Pegar ou largar! Se não quiser eu mesma escrevo sobre ele.
- Eu vou escrever. Foi o que ela disse, mas saiu chutando pedras.

Depois voltou lamuriando dizendo que tinha começado mas que estava difícil. Fácil mesmo era escrever sobre CERVANTES, SCHOPENHAUER E ETC. E eu digo: Se gosta de atender a este tipo de pedido para que ficar me pedindo tema? Acha que o meu cérebro gosta de trabalhar a toa? Você pede e eu escolho um bem bonito do tipo que merece um livro e você vem reclamar?! Me deixa quietinha agora que vou ver se faço a minha casa colorida. Não vá esperdiçar o belo título e veja se não foge do tema!

Com jeito loiro meio emburrado a filósofa se foi. Talvez por dentro estivesse me mandando para aquele lugar. Não sei e não quis saber. Fui tratar da minha casinha de 15 linhas. Nem a acompanhei até a porta. Foi por isso que perdi as coisas que aconteceram por lá:

- Dona Zélia!
Ela não sabia se tinha escutado ou não uma voz baixinha. Mas ouviu de novo vindo não sabia de onde.
- Dona Zélia!
- Quem é que fala?
- Sou eu Dona Zélia! Estou escondido atrás de uma pedra para não assustar a senhora.
- O menino Dagger?!
- Eu mesmo! Eu tenho uma idéia para a senhora!
- sim! Diga.
- Já que a senhora quer um tema, a senhora pode escrever sobre mim.
- Mas assim, sem eu te ver nem nada?!
- Assim mesmo. Eu não posso dar as caras sem minha dona me arrumar e a senhora não pode falar que eu pedi para a senhora escrever sobre mim.
- Sei. Onde foi que você arrumou aquela chave encantada?
- Psiuuuu. Fale bem baixinho. Não posso dizer nada daquela história. Cada história é uma. Só minha dona que sabe o porquê delas se tornarem como elas se tornam. Eu queria que a senhora falasse se gostou de mim na história. Mas é melhor a senhora ir agora.
E não deixe de escrever a crônica sobre o último copo de água. Minha dona é boa com títulos.
A senhora vai fazer sucesso!

Ela já tinha saído da casa e ouviu como uma cantiga do vento a última recomendação na voz do sapinho:
- Dona Zélia!
–Sim. Olhou, olhou ao redor mas não viu sapinho nenhum. Mas Em algum lugar a criatura estava.
- Não vá se esquecer do tema.

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Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 25/05/2009
Reeditado em 25/05/2009
Código do texto: T1613976
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