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Sombras inexoráveis

   Estamos chegando próximo das eleições. Atendo-nos à eleição presidencial (em outra oportunidade abordaremos as demais), encontramo-nos em um beco sem saída. A maldita reeleição proposta e defendida por FHC e no seu governo aprovada, irá nos levar, inexoravelmente, a suportar mais quatro anos do "governo" que aí está. Aliás, com o sistema de reeleição, praticamente  os governantes terão oito anos de mandato, mesmo que ocorra algum fato de alta gravidade, como está acontecendo.
   O desempenho do atual governo é medíocre sob todos os pontos de vista, o que não é nenhuma surpresa.
   Na verdade, o que se poderia esperar de um governante sem nenhum preparo, sem uma formação mínima necessária, sem alcance de visão, enfim, de lado qualquer preconceito, mas sendo coerente, o que se poderia esperar de um homem sem a devida envergadura para presidir o Brasil. Algúem se atreveria a entregar a uma pessoa, mesmo que bem intencionada, com tais características, a presidência de  uma empresa de médio ou grande porte, capaz de tomar decisões fundamentadas no conhecimento, no saber, no sentido de atingir os melhores resultados?
   O presidente foi eleito e será reeleito por seu carisma entre a população menos informada, que apenas luta para sobreviver e que se satisfaz com alguns benefícios que podem lhe saciar a fome mas, ao mesmo tempo, os condena à pobreza definitiva e a sobreviver desses mecanismos ou programas assistencialistas e eleitoreiros. "Daremos a eles um pedaço de pão e eles nos recompensarão com a sua gratidão".
   Então, resta-nos aceitar a reeleição, na minha opinião, certa como dois mais dois são quatro, do homem que permitiu, em seu governo, a maior bandalheira de que temos notícia. Alegar que ele não sabia de nada é reforçar os argumentos sobre sua incompetência. Na verdade, acho que o presidente foi usado por um partido que tinha obstinação para chegar e permanecer no poder a qualquer custo, devido à sua ingenuidade, vaidade, falta de autocrítica e visão míope das verdadeiras prioridades do país. Alguém o iria tutelar. Mas ele era o único, nesse partido, com o tal carisma. Uma coisa é fazer comício em porta de fábrica; outra é ter capacitação para exercer a função mais importante na república.
   Os partidos de oposição, como sempre acontece, atacam e criticam o governo, por todos os meios e formas. Há um falatório desenfreado. Entretanto, na hora H, não sabem indicar ou não têm um candidato à altura para vencer uma eleição. O nome escolhido parece que não tem garra, não tem força, não acredita em si mesmo, não consegue simpatia popular. Até agora, para ele, as pesquisas são desanimadoras.
   Por tudo isso, sombras inexoráveis pairam sobre os brasileiros, condenados a suportar mais quatro anos de um governo que fala pelos cotovelos, mesmo mal conhecendo a língua pátria. E é ovacionado nos mais longínquos rincões deste imenso Brasil, apesar das baboseiras típicas dos seus pronunciamentos públicos.
   Portanto, fechando a crônica, podemos esperar que as sombras que nos rodeam são mesmo inexoráveis. Vamos tentar sobreviver da forma que for possível, já que assim estamos até nos acostumando.
 
 
 
Augusto Canabrava
Enviado por Augusto Canabrava em 29/05/2006
Reeditado em 09/08/2007
Código do texto: T165053
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Augusto Canabrava
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Augusto Canabrava