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MANDAR A MERDA OU MANDAR À MERDA


Dependendo da circunstância, tanto faz. E nem sempre se trata de uma expressão chula ou pejorativa. Por exemplo: - Seu Chico, já mandamos a merda pra horta comunitária... Claro que o meu ouvido teria preferido ouvir a expressão “bosta”. – Bosta é o termo técnico! Que ninguém venha me dizer que pisou numa merda de vaca, dizia o Prof. Dr. Humberto Sório Junior, durante as aulas práticas de Zootecnia. Mas, para o entendimento do Seu Antôninho, homem decente, e, digamos, “mal-nascido”, relevamos.
Digamos que Bosta seja a Merda boa, já aquela imundícia, matéria que se deteriora, excremento, que nos causa repulsa... É a Merda em questão.
Então, se mandamos Merda a alguém é porque queremos que esse alguém receba excremento mesmo, aquilo que nos causa repulsa. Particularmente, acho isso um gesto extremo, digamos, sujo mesmo, no sentido literal:
- Eca! Mandaram-me um pacote de Merda... O que será que eu fiz para merecer isso? Disse o sujeito, olhando para os dedos e sentindo um cheiro que lhe é familiar...
Agora, quando queremos rejeitar alguém, cujas atitudes nos causam repulsa; nojo; prejuízo; aviltam a nossa moral, aviltam a nossa decência, aviltam a nossa dignidade, destroem os nossos valores humanos, nos rebaixam à condição mais humilhante: a de nos sentirmos impotentes diante da arrogância de terem sob seu domínio as chaves da própria Lei, delegadas pela nossa autoridade e que se fartam disso na tentativa de encher o imenso vazio da hipocrisia que lhes é nata, a esses, mandamos à Merda.
É o uso da expressão com o sentido de dizermos basta. Ao meu ver, também não é pejorativa, apenas extrema. Num país como o nosso ela é um sinal grave, gravíssimo, um alerta vermelho.
Penso que seja por conta de que o povo está se dando conta de que o mal está se organizando no seio da nossa sociedade; o crime está organizado, elegendo seus representantes, ensinando a fazer bombas em cartilhas toscas, espelho do desleixo para com o povo mais pobre da nossa nação, que penam por falta de estudos, que penam de fome por falta de capacitação profissional, que penam de dor por conta da estrutura podre dos serviços públicos, que não chegam nem a saber e, muito menos, a compreender porquê pagamos tantos impostos.
Todos nos devem explicações: os que vieram antes e os que estão agora. Os que vieram antes pensam que não sabemos que essas cartilhas toscas não nascem da noite para o dia? Que só se vende bens para cobri rombos de dívidas daqueles que se entregaram ao ágio pensando numa coisa e fizeram outra? Que se os bens somem e as dívidas continuam é porque algo não vai bem no comando? Que o “Mensalão” tinha outro nome ou só foi batizado agora? Que mandato também se comprava desde cedo no Brasil?
Chega de os vermos empurrando responsabilidades de um bloco para outro e, quando a eles convém alianças de poder, metendo as merdas que produziram para baixo do tapete vermelho...
Rearanjam as cartas de um baralho pra lá de viciado e apostam tudo na mídia para fazer a cabeça do povo-quase-nada que eles vêm criando em currais cada vez mais cheios e que tem no voto a chave da sua legitimação.
Começo a pensar que é justo e perfeito, nós, o povo transformado em ralé pelos nossos representantes, nos engajarmos na campanha pelo voto nulo: 51 por cento de votos nulos anulam a eleição e todas as cartas viciadas irão para o lixo, ou para a fossa, como convém ao que se deteriorou.
 
 
Chico Steffanello
Enviado por Chico Steffanello em 02/06/2006
Código do texto: T168027

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Sobre o autor
Chico Steffanello
Sinop - Mato Grosso - Brasil, 56 anos
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Chico Steffanello



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