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Texto

A massagem no meu Avô

Éramos em cinco homens, cinco irmãos. Depois de três filhos, a tentativa de uma menininha, quem sabe, vieram gêmeos para selar de uma vez aquela grande família.
Morávamos numa casa e na frente havia um grande e descampado terreno baldio com muito mato. Vivíamos uma infância de ouro, soltos, na rua, carrinho de rolimã, pega-pega, polícia-ladrão, tudo na rua, sem um mínimo de insegurança. Saiamos de casa às oitos horas da manhã e voltava às seis horas da tarde.
Num final de semana receberíamos a visita dos meus avós maternos, Orlando e Arminda, este mesmo é o nome de minha avó. Estávamos em plena seca, tempo de muito sol, pouca chuva e as pastagens secas, principalmente o terreno baldio na frente de casa.
As únicas “arvores” verdes que ainda resistiam eram mamoneiras, que não era muito grande, e tinham enormes folhas junta daqueles cachos que pareciam uvas com espinhos.
Numa das nossas inúmeras molecagem colocamos fogo na pastagem seca no terreno baldio, que em pouco tempo estava em enormes chamas.
Meu avô ainda forte, não pensou duas vezes saiu de dentro de casa e juntou aquelas mamoneiras e começou a apagar o fogo. O fogo um inimigo poderoso não dava trégua e meu avô como um jovem distribuía folhadas pelo incandescente poderoso.
Após longa jornada, pasmem, o fogo foi controlado e neste momento já estávamos recebendo sérias repreensões dos nossos pais. Meu avô chegou em casa quase carregado, de tanta força que fez e de fumaça que engoliu, mas satisfeito com a heróica jornada.
Olhávamos para nosso avô com vergonha pelo fogo colocado e com uma ponta de dó, já que o velho estava todo suado e sujo, porém adolescente esquece rápido os efeitos das molecagens e muito rapidamente estão prontos para outras.
Após tomar um banho meu avô queria dar uma descansada, o que era muito justo, no entanto reclamava de dor na coluna. Olhávamos um para o outro, eu, meu irmão gêmeo Marcio e meu outro irmão Marcelo, e oferecemos ao nosso avô uma massagem, o que aceitou rapidamente.
Fomos até a caixa de remédios de minha mãe e pegamos uma pomada de cor preta, Iodex, que parecia uma graça. Deitado na cama, sem camisa começamos a passar a pomada nas costas do meu avô, e neste princípio fizemos tudo como manda o figurino.
Mas, passado algum tempo começamos a maquinar alguma, novamente, para meu avô, então meu irmão Marcelo, o mais velho, pegava o tubo de Iodex, e simplesmente colocava na bunda do meu avô e apertava, o que meu avô pulava e gritava: o que e isso meninos.
Respondia que não era nada, que o tubo escorregou, mas que íamos continuar a massagem e assim foi até minha mãe chegar e nos pegar no pulo e nos deu uma bela, boa e merecida surra.


Marcos Barbosa
Enviado por Marcos Barbosa em 14/07/2009
Reeditado em 14/07/2009
Código do texto: T1698757

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Sobre o autor
Marcos Barbosa
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
55 textos (2672 leituras)
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