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TEMPOS MODERNOS. ATÉ DEMAIS!

                          Não poderia ocorrer nada mais estranho, naquela madrugada, como o duelo imaginário entre o assistente do Office e eu.
                 Não sei quem estava com mais medo de quem. Nos encaramos várias vezes. Ele querendo saber qual seria minha atitude e eu, tentando descobrir qual seria o próximo passo dele.
                 A confusão começou quando coloquei um CD-ROM no computador. Queira rever algumas fotografias. No início, tudo bem. Aquele tipinho virtual, feito de  clipe sobre uma folha de papel,  estava esperto, com os olhos arregalados. Estava satisfeito de estar trabalhando, mesmo naquele horário, principalmente numa época em que há tantos desempregados.
                A satisfação não foi longe. Logo ele começou a ficar agitado. De pé, olhava pra lá e pra cá, prestando atenção em tudo, vendo coisas que nem eu conseguia ver. Mais alguns instantes  levantava as sobrancelhas e piscava. Não deu outra: começou a cochilar. Colocou a mão no rosto, e  dormiu em pé.
               Mais tarde  entreabriu os olhos e  espreguiçou, parecendo que ia despertar. Ledo engano, ele  se jogou no papel para dormir , desta vez, deitado.  O sono foi tão profundo que tive a impressão de ouvir seu ronco. Fiquei observando suas espreguiçadas, coçadas na cabeça, nos pés e remexidas. Houve  outra espreguiçada. Pensei:- Agora ele vai levantar. Levantou. Olhou para o relógio – no canto da tela – e para o painel central, onde deveriam estar aparecendo   fotografias; depois para mim, com a expressão de quem diz:
                -Olha, esse negócio vai demorar!
         Sem qualquer possibilidade de contestação, continuei observando
aquela coisa virtual, encolhida num canto, virando os olhos de  um lado  para  outro. Parecendo estressada, a criatura resolveu sentar. Ficou um tempão daquele jeito e levantou com tamanha satisfação que me levou a pensar:
                 -Opa! Por fim, o arquivo do CD vai terminar de abrir e vou rever as fotos.
               Que nada! O assistente me enganou. Em vez de eu ficar com raiva dele, aconteceu ao contrário. Ele ficou furioso. Encarou-me e recomeçou a cochilar em pé, sentar, deitar, dormir,  coçar cabeça e pés , espreguiçar, sentar, olhar de um lado para o outro, etc.
Na verdade, ele queria me dizer:
- Vá fazendo outras coisas porque esse trabalho aqui vai demorar.
                     Só então resolvi olhar a capa do CD. Estava lá, em caixa alta,  chamando bastante atenção: 80 min./ 700 mb.
                     Por essa e outras é que, nesses tempos modernos, você precisa ler o que a máquina tenta lhe dizer:
                      -Que vença o melhor!
                    Sabe quem venceu o duelo? Exatamente. O estrangeiro importado para o Brasil, que está inteirinho da Silva, e  reafirmando:
- Sou brasileiro e não desisto nunca.
E eu?Ah ,ainda vou pedir a revanche. Ah! Se vou! Estou só esperando ele acordar./// Autora: Valdeiza Vieira Gomes
                                                Boa Vista- Roraima

Roraima
Enviado por Roraima em 10/06/2006
Código do texto: T172674
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Sobre a autora
Roraima
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