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Verde, amarelo e tudo azul

Mais uma vez, copa. E, a despeito de um certo clima sui gêneris que acompanha cada ano de forma especial, a coisa toda é sempre a mesma. De repente, começam a aparecer produtos estampados de motivos brasileiros. As mãos vasculham o alto das prateleiras, à procura da velha bandeira de copas passadas, há 4 longos anos empoeirada e esquecida na estante, tal qual o patriotismo daqui. O pessoal enfeita as casas, pinta as ruas, o comércio é uma festa, tome feriado, churrasco, tensão... Os argentinos nunca são tão odiados, e a imprensa fareja absolutamente tudo que for relativo a copa, das cuecas de Ronaldo à chegada da seleção lá em onde-Judas-perdeu-as-botas. E o Brasil, que já é doido por bola, em época de copa resume-se a 1 palavra: fu-te-bol.

Entretanto, e como tudo tem exceção, o clima que contagia quase todos não tem poder sobre outros tantos... Explico: mesmo com essa algazarra futebolística, tem gente que não está vibrando, nem ansioso nem esperançoso, porque simplesmente não gosta de futebol.

E está no seu direito. Afinal, ser brasileiro não significa amar bola, carnaval, ser liso, votar errado e ter “jeitinho”. Não necessariamente. Existem, acredite, muitas pessoas de bem, em sã consciência e “patriotíssimas” que não dão a mínima pra Ronaldo e cia.

E, francamente, não gritar até perder a voz por causa de copa não é atentado ao patriotismo de jeito nenhum. Primeiro, porque torcedor aqui é o que não falta, e é justamente a massificação do evento que aborrece muita gente. Depois, mesmo se fosse falta de patriotismo, consciência política nunca foi nosso forte mesmo (especialmente em tempos de copa, quando os políticos ficam mais saidinhos, pois a gente tem o péssimo hábito de se concentrar em apenas 1 assunto por vez. A bola está rolando? Para os ares com a política, a situação do país, do mundo, etc.)

Então, não vamos apedrejar nem deserdar mentalmente quem ousa não curtir a magia do futebol. As pessoas têm paixões, mas ninguém é obrigado a amar manias nacionais.

Pessoalmente, divirto-me mais com as reuniões de amigos do que com as partidas em si, abençôo os jogos se rola um feriado por causa deles, aproveito pra polemizar sobre a famosa guerra dos sexos, aprender um pouco de futebol, xingar a mãe de muita gente e, lógico, torcer pelo Brasil. Afinal, alguém vai ganhar, então que seja a gente, não o bem-longe-daquistão. E a Argentina, jamé.

Afinal, nosso destaque nos esportes, não importa em que modalidade, deve sempre ser prestigiado. Há tempos que somos bons de futebol e ruins de física, ensino, reforma agrária... Ser ruim em tudo isso é vergonha, mas ser bom de futebol ainda é orgulho. E, se não nos acomodarmos em alienação e fanatismo, saberemos valorizar o que sabemos fazer bem e ir à luta no resto. Desde já, torço pelo Brasil em olimpíada de física, de matemática, em festival de música, e em tudo que for torneio ou não, capaz de prestigiar-nos internacionalmente. O futebol também está incluído. Então eu torço. Só que eu não gosto de futebol.

Então, façamos assim: todos vestimos verde e amarelo. Quem quiser gritar, sofrer e vibrar até ficar roxo, à vontade. Mas pra brasileiros como eu, tá tudo azul, bem tranqüilo mesmo. Quem curte não encha o saco de quem não curte. E quem não aprecia, por favor não se torne chato nem amargo, pois é impossível negar o clima maravilhoso do esporte, seja qual for. Deixe de ser chato e admita que você quer ver Brasil ganhando, porque, assim como eu, você é brasileiro.

Jéssica Callou
Enviado por Jéssica Callou em 13/06/2006
Reeditado em 14/06/2006
Código do texto: T175044
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Sobre a autora
Jéssica Callou
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 28 anos
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Jéssica Callou