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Dia comum, como um dia qualquer...


     Acordou cedo. Tomou banho e preparou seu café da manhã. Pão dormido e café requentado. Já estava atrasado, tinha que pegar o metrô as seis e meia e já era seis e vinte. Apressou-se. Saiu e ao trancar a porta pensou consigo mesmo, como todos so dias, que hoje seria um dia de grande felicidade, encontraria finalmente a sua companheira, aquela que o completaría e o faría vivo.
     O metrô estava lotado. No seu vagão, trabalhadores de todos os ofícios, de todos os gostos. Havía tambem ébrios da madrugada anterior que buscavam seus lares como quem busca aconchego e nunca o encontra.
     Chegou ao centro da cidade e se encaminhou para seu lugar de trabalho. Espremia-se entre a multidão faminta por compras, tentava, já com prática, desviar-se do contigente que ocupava todas as calçadas e metade da avenida.
      Era auxiliar do almoxerifado de uma loja de departamentos. Não fazia muita coisa: anotava o que saía, o que entrava, o que faltava. Passava o dia entre pilhas de papel e caixas cheias de traças. O médico do posto comunitário já o avisara de seu grave estado de sinusite.
       Na hora do almoço, preparou-se para sair e quando estava abrino a porta, que permanecia trancada, a chave enguiçou. Viu, como em um enterro materno, a calma se esvair. Puxou a chave com força e teve em suas mãos apenas metade dela.
        Chamou, gritou, bateu, chutou. Não houve uma só resposta. Estava isolado. Quase ninguém buscava o almoxerifado em começo de mês. O tempo foi passando e sua fome estava cada vez mais insuportável. Cochilou um pouco. Estava sem energia para pedir socorro em vão. Quando acordou percebera, entre as frestas de uma janela lacrada, que a noite já caíra. Resolveu pedir ajuda novamente. Nenhum retorno.
         Estava ficando sem esperança. A fome já o tinha esquecido. Percebeu que estava como sempre esteve, só. Foi acometido por uma tristeza doída. Nostalgia dos tempos da infância. Veio aos seus olhos sua mãe chamando por ele no campinho de futebol. Ouviu uma música leve ao longe.
         O rádio relógio o acordou. Tomou banho. Preparou seu café da manhã. Pão dormido e café requentado. Já estava atrasado, tinha que pegar o metrô as seis e meia e já era seis e vinte. Apressou-se. Saiu e ao trancar a porta pensou consigo mesmo, como todos so dias, que hoje seria um dia de grande felicidade, encontraria finalmente a sua companheira, aquela que o completaria e o faría vivo...






didika
Enviado por didika em 22/06/2006
Código do texto: T180267
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Sobre a autora
didika
Campinas - São Paulo - Brasil, 28 anos
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