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A FUGA

A Fuga
 

Um dia, Téo chegou da escola, trocou a camiseta por um coletinho preto, tomou quase um litro de água e disse à empregada que ia fazer as tarefas na casa da tia. Mãe e pai chegaram do trabalho e ficaram despreocupados. Téo estava melhorando. Sua preocupação com os deveres de casa acenava para uma melhora nos estudos. Afinal, nunca tivera tanta pressa assim, quando o assunto era escola.
A ilusão que Téo provocou em seus pais, caro leitor, durou pouco tempo. Ele era muito pequeno ainda para ter a malícia dos mais crescidos. Não pensou que logo após o almoço, sua tia sentiria sua falta para a banca escolar da tarde, acompanhada por ela todos os dias. E telefonou para a casa de Téo, indagando o porquê da sua ausência. A empregada que havia recebido o telefonema, respondeu perplexa:
- Como?! Téo não está aí, Dona Sara?
- Não. Não está.
Os pais que já haviam voltado para o trabalho e foram logo avisados. Eram três horas da tarde e não se tinha notícias do garoto. Houve um alvoroço e os telefones não paravam. E todos faziam as mais diversas conjecturas:
- Foi seqüestro!
- Alguém o roubou pelo caminho!
- Sentiu-se mal em algum lugar!...
Nesse ínterim, um carro pára à porta do comércio do Senhor Fred e um amigo, acompanhado de sua esposa, descem do automóvel, segurando a mão de uma criança.
- Olha aqui seu filho. Encontramo-lo no quilômetro cinco da Vila Bela. Estava próximo à pista, sozinho e nos disse que ia para a casa da tia Zazá brincar com o Cecéu.
Você nem pode imaginar, meu caro leitor, a alegria e o alívio que todos sentiram naquele momento! Téo estava vermelhinho, pois tomara muito sol. Abraçou o pai e chorou muito. Quando se encontrou com a mãe que, a essa altura já estava com os nervos explodindo, correu ao seu encontro, abraçou-a e beijou-lhe a face e falou:
- Minha mãe, eu gosto muito de você e de meu pai, dos meus irmãos, mas eu queria tanto fugir!... Essas palavras foram ditas com a mesma inocência do ato que praticara.
E a mãe, ainda sob a emoção do momento, não entendia por que seu filho tão amado queria fugir. Aos prantos, abraçando fortemente Téo, disse-lhe:
- Fugir de quê, meu filho? Aqui somos todos felizes. Você tem o carinho e o amor de seus pais e de seus irmãozinhos Leleco e Tico. Todos nós o amamos muito.
-Ah! Minha mãe, você não sabe de uma coisa - disse a criança com voz de choro.
- De que coisa você está falando, Téo?
- Você não sabe que eu quis fugir porque Leleco queria me bater e disse que ia contar para você que fiquei de castigo na escola, porque não fiz as tarefas. Fiquei com medo!
Esse diálogo entre mãe e filho, amigo leitor, nos leva a uma reflexão sobre o relacionamento entre pais e filhos e entre irmãos. Por que a criança não falou a verdade quando ficou de castigo ou quando o irmão maior o ameaçou?
As crianças são verdadeiras. Às vezes, não damos importância ao que elas dizem, achando-as apenas engraçadas. Nesse caso, o diálogo foi aberto pelo próprio Téo que, não suportando mais o que trazia escondido dentro de si, contou a verdade. Os pais precisam conhecer melhor seus filhos, conversar com eles, trocar idéias e não apenas impor condições. Crianças são autênticas e os pais devem ter o cuidado de se abrirem com elas, conversarem as conversas de que elas gostam, que as fazem felizes.
Sempre haverá um tempo para ouvir os filhos. E esse tempo será um tesouro nas mãos dos pais que dispensam atenção, afeto e ternura a seus filhos.
Não deixe seu filho “fugir”. Se isso acontecer, reveja seus paradigmas. Muitas vezes é preciso que aconteçam fatos como esse, para que determinados pais, ao vivenciarem essa angústia, dêem um novo rumo à educação de seus filhos. As perdas, em momentos de dor e aflição, podem reverter-se em ganhos com as lições que os próprios filhos dão a seus pais.
 
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Mena
Enviado por Mena em 25/06/2006
Código do texto: T181943

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Sobre a autora
Mena
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