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QUANDO SE QUER VIVER A VIDA DOS OUTROS...

Às vezes, eu fico a me perguntar o porquê de algumas pessoas quererem passar a viver uma vida voltada apenas para a metade que não lhes pertence, ou seja, viver a vida de uma pessoa qualquer e deixar de lado a sua própria vida. Interessante isso, não? Eu diria que é meio doido. Mas, que isso acontece, acontece.

E pessoas assim se despem de qualquer honra, qualquer virtude moral e se enfiam em um lamaçal onde, a cada dia que passa, enterram mais a esperança de um dia viverem a felicidade que, muitas vezes, a vida lhes ofereceu, apenas vivendo a vida delas próprias.

Pessoas que vivem a vida das outras pessoas não têm sossego e nem paz interior. Estão sempre buscando, vasculhando, procurando encontrar alguma coisa que lhes sirva de pretexto para poderem infernizar a vida – da outra pessoa – que elas escolheram para viver.

O pior é que, dificilmente, essas pessoas – que são, na sua maioria, pessoas inteligentíssimas – param para pensar, refletir e buscarem ajuda para seus problemas neurológicos. Na verdade, elas sempre acham que quem tem problemas são os outros, no caso, as pessoas que elas escolheram para viver a parte que não lhes cabe na sua vida.

Meio complicado isso. Até porque este texto é para ser uma crônica e não um artigo científico de psicologia, com suas referências, etc., mas é que, em determinados momentos de sua vida, você, com as experiências vividas, passa a diagnosticar alguns absurdos relacionados com esse enfoque dado aí em cima.

É fácil perceber quando uma pessoa quer viver a vida que não é a sua. Ela, de cara, já busca fazer tudo pela outra. Até pensa. Aliás, pensar é um dos exercícios mais utilizados por quem se acha dona da metade que não é a sua metade de vida. Ela passa, no mínimo, a adivinhar o que a outra pessoa quer ou vai fazer.

Normalmente, ela já acorda, pela manhã, e começa a elaborar o seu dia em função do dia do outro. Antes mesmo que o escolhido tenha se levantado, ela já esquematizou o seu tempo, pois essa é uma função importante na vida de quem vive a vida de outra pessoa: cercar-se de todo tipo de cronograma organizacional, agendamentos e roteiros, para que ela possa se precaver de qualquer tipo de surpresa – para o caso da pessoa a quem ela escolheu para viver a vida dela, programe algo diferente daquilo do que ela pensou.

Entretanto, é bom esclarecer: pessoas que vivem a vida de outras pessoas, de forma contínua, permanente, esquecendo-se de viver a parte que lhe é de direito, ou seja, a sua própria vida, não se assemelha, em nada - e nem é mera coincidência -, a de pessoas que são pagas para assessorar a vida de outra pessoa que não a delas mesmas.

Como disse, no parágrafo quarto, a experiência lhe faz catalogar algumas dessas pessoas – e não há um sexo mais propenso para que isso aconteça. Tanto faz ser homem quanto mulher – que vivem em sua volta, tentando, a todo custo, fazer de sua vida a vida deles.

Outro dia, eu descobri que, de algum tempo para cá, a minha vida estava sendo vivida e pensada por uma pessoa que imaginava que eu era propriedade dela. E que, mesmo não querendo, já tinha estado em lugares que eu jamais imaginei em estar e feito coisas que, para falar a verdade, até Deus duvidaria que eu tivesse feito. Verdade. E, não foi só isso não: essa pessoa tentou afastar de mim – ou seja, afastar da parte que ela estava vivendo –, toda e qualquer pessoa que pudesse ameaçar a sua condição de dona da minha vida. Loucura, não?

O problema maior se dá, por incrível que pareça, com pessoas que nem são do seu círculo social, nem fazem parte de suas relações pessoais e, muito menos, são pessoas que você tenha ou já teve qualquer laço afetivo. Não se faz necessário. Essas pessoas, em suas esquizofrenias, vagam por um mundo imaginário, devaneando seus destinos, colocando, com isso, em risco a própria integridade – física e moral – de quem elas, em suas fantasias psicopatas, tentam, a todo custo, ser donas.

O perfil dessas pessoas é de obsessão e tentativa de possessão, pois acham que podem, com sua inteligência, controlar, manipular, arquitetar, fabricar conceitos e ideias, e repassá-las – utilizando-se da metade que não lhes pertence – como se fosse algo normal, mas que, na maioria das vezes – e quase sempre –, torna a vida de quem elas escolheram para viver, um verdadeiro martírio. E isso equivale dizer que é no pessoal, no familiar e no social.

Por isso, cuidado! Se alguém se aproximar de você, querendo resolver seus problemas, facilitar sua vida, pensar por você, conseguir caminhos menos espinhosos do que eles realmente são ou seriam, fique alerta.

Mas, o mais importante é você perceber que, depois que essas pessoas passam a fazer parte do seu dia-a-dia, seus amigos vão desaparecendo de seu convívio, o seu tempo está sendo controlado, o seu celular toca a cada cinco minutos – esteja onde você estiver – e essa (s) pessoa (s) sempre querendo falar com você, perguntando onde você se encontra, se viu fulano ou beltrano, ligando para sua casa para conversar coisas não relacionadas com o seu dia-a-dia profissional e, o que é pior, se sua esposa começa a lhe olhar com cara de quem está sendo alimentada em seu ciúme, se previna: corte a amizade urgente, apague essa (s) pessoa (s) de sua vida, comunique o que está acontecendo a sua cônjuge e, se for o caso, procure os familiares dessa (s) pessoa (s) e, também, conte o que está acontecendo.

Faça como o ditado popular: corte o mal pela raiz antes que ele cresça e destrua o seu caráter.
Raimundo Antonio de Souza Lopes
Enviado por Raimundo Antonio de Souza Lopes em 20/09/2009
Reeditado em 06/12/2011
Código do texto: T1820787
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Raimundo Antonio de Souza Lopes
Mossoró - Rio Grande do Norte - Brasil, 57 anos
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