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Semear

Os olhos que contemplam a face mais fascinante e irradiante antes nunca vista, jamais deixam esta imagem desaparecer e perpetua sua história na vida temporal, como se não houve outro sentido para si, a não ser passar os minutos que vos restam na presença do detentor desta fisionomia que o cativara. Contendo no presente perfeito a aureola cintilante semelhante aos raios solares, quando o astro se encontra por traz das nuvens já próximo ao poente, uma força poderosa acalenta o coração. Seus feixes se mostram mais evidentes e a beleza estampada no céu azul deixam-se contaminar pelo dourado produto do sol que nos aquece e ilumina.
Que força é essa? Qual forma disforme projeta no amplo espaço de nossas sensações, o desejo ardente capaz de nos mover de uma vida outrora “desentidualizada”, para uma outra voltada ao transcendente espaço tão maior quanto o universo, de barreiras limitadas pelo coração, chamada por nós outros de... amor? Por que tanto, se tão pouco nos resta de vida, do tempo previsto inferior a 110 anos para os mais otimistas? Ambicionados pela felicidade que nos prende por sua força inabalável do bem mais que necessário, o que seria maior a ponto de se mostrar superior ao sentido que poderíamos dar a nossa própria vida!? – Creio que já esteja bom tanta interrogação!
Não há dúvidas de que para tais indagações, apenas uma “semente” é o ente capaz de responder a todas elas. É no ínfimo e quase incólume aspecto de uma semente que advém a mais formosa e majestosa das árvores, e a mais meiga, bela, suave e aromática das rosas presente em qualquer parte do mundo ou talvez, oculta em boa parte deste, sendo possível desabrochar em uma determinada terra, em um ambiente propício, no rincão mais longínquo ainda não descoberto. A semente caracteriza-se pelo princípio da vida que ostenta a posteriori a face por demais querida.
Plantada profundamente nos corações de quem tem por obrigação semeá-las em outros tantos, e neste próprio seu cultivo é notório, O Semeador é o grande protagonista que nossos olhos puderam contemplar. E nos faz promotores de seu ofício dos mais importantes, sendo nós simples mortais, jovens seminaristas, o instrumento usado para existir como cópias semiperfeitas de Vosso perfeitíssimo Ser.
Tudo isso tendo por agente uma “semente”, contudo, plantada pelo Semeador dos semeadores. Semear a vida, a Beleza admirada e jamais deixada de lado, possuidor da face antes mencionada, do qual os raios brotam com muita naturalidade, se faz como proposta irreversível de quem escolhera essa “função” voluntariamente na sociedade e no seio da Igreja. “Estar seminarista” é uma fase que se transita para aderir a uma responsabilidade ainda intacta – como a semente –, neste mundo ao qual ausenta-se em muitos corações, valores éticos e morais, sentido para a vida e acima de tudo, uma contemplação natural aos olhos divinos, do espaço que nos rodeia. Como isso é possível? Só o Amor pode explicar.
Hugo Galvão
Enviado por Hugo Galvão em 28/06/2006
Código do texto: T184038
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Sobre o autor
Hugo Galvão
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 39 anos
55 textos (6933 leituras)
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Hugo Galvão