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Crônicas da Esquina ( Pelo Correio - ao amigo Nei Lopes )

 PELO CORREIO

 Prezado Nei,
Desculpe a este humilde cronista interromper suas reflexões telúricas com os incômodos da presente missiva. É possível que você esteja deitado a uma rede ou ao pé de uma mangueira, observando – na calma de uma bucólica manhã – o árduo trabalho das formigas. Também não descarto a possibilidade de estar você largado na varanda e, faca em punho, fatiando a melancia colhida instantes antes para depois dentá-la como nos tempos de criança lá no Irajá. Juro que não gostaria de imaginá-lo sentado ao computador, envolvido em alguma pesquisa que lhe onera o ócio.
Quanto a mim, estou cá em Vila Isabel – mais precisamente no bar do Costa - , e não tendo o suco de manga que bem poderia ser a sua água, submeto-me à cerveja gelada que o Tuninho me trouxe, enquanto lhe escrevo esta carta. Não quero alongar-me muito para não lhe subtrair o dia senão em alguns minutos. Sim, amigo, posso perceber sua estranheza. Por que não um simples e-mail? Tendo eu mesmo um computador, bastariam algumas tecladas rápidas e, num relâmpago, você saberia o que tardo em lhe dizer. Mas, convenhamos, caro amigo, também os carteiros precisam trabalhar. Eles gostam de conhecer destinatários ilustres que, por obra e graça da engenhoca eletrônica, tornam-se cada vez mais transparentes. Caso os descartassem, poderia eu pegar o carro e ir, pessoalmente, entregar-lhe a carta e, de sobra, desfrutar de sua companhia. Riríamos muito embalados pela cerveja comprada às pressas na birosca próxima ao seu paraíso. Porém, uma iniciativa dessas, sem aviso, traz o inconveniente da surpresa. O inesperado pode sair caro. Vamos que a minha chegada repentina interrompa o momento em que você arremata o verso derradeiro? Estaria eu, e com razão, condenado pela intromissão.
Sozinho no bar – apenas o Vitório cochila sentado em frente à banca – a carta é, para mim, a melhor solução. Mas, dirá você, do que se trata afinal? Vamos pois ao breve assunto que me inspirou a correspondência. Preciso de um obséquio seu. Como você sabe, o carnaval se aproxima e a alma da nossa esquina já pulsa diferente. Pois é, temos um bloco. Já não temos o Jair, mas o cheiro de saudade nos obriga a continuar com essa história da qual ele foi a principal e indispensável alavanca. O fato, fraterno amigo, é que o B.C. EU SOU EU E JACARÉ É BICHO D’ÄGUA carece de um desenho para estampar suas camisetas. Apenas um jacaré, um desenho de jacaré, não mais que isso. Assim, certo de sua compreensão, despeço-me e lhe abraço de todo o coração.

 P.S. Não esqueça o chapéu panamá. Sem ele, o jacaré não ficaria a sua cara.


                                                                                  Aldo Guerra
                                                                                 Vila Isabel, RJ
Aldo Guerra
Enviado por Aldo Guerra em 02/07/2006
Código do texto: T186104
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Sobre o autor
Aldo Guerra
Rio das Ostras - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
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Aldo Guerra