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A GUERRA E A ÉTICA

A GUERRA E A ÉTICA
FLAVIO MPINTO

O índice ZERO KILL, conhecido por sua sinalização unindo-se o dedo polegar com o indicador, a partir da Segunda Guerra Mundial  atinge seu ápice com os bombardeios cirúrgicos das bombas inteligentes.
Contudo, e pasmem, as mortes de civis aumentam a cada conflito em contraste com as de militares combatentes, sendo que destes, a maioria é de mortes fora de combate, ou seja, na área de retaguarda e fruto de acidentes dos mais diversos tipos, não sendo oriundo da ação direta do inimigo em questão.
De aproximadamente 5% de mortes na 1ª GM a quase 90% nos últimos conflitos, as mortes  de civis colocam em cheque as ações tipicamente militares, e neste ponto, visualizam-se as ações terroristas , muitas delas motivadoras das ações bélicas das tropas legais e organizadas.
Um brincalhão disse que “....então os civis que não se metam em assuntos de guerra. Guerra é coisa de soldados, ora.”

Mas pode haver guerra sem mortes? Certamente que não e aí começa o questionamento da parte ética/ moral de suprimir a vida de semelhante em prol de interesses, os mais diversos.

De SunTzu extraímos que se deve procurar derrotar o inimigo sem dar um tiro após debilitá-lo de inúmeras formas. De Liddel Hart que deveremos procurar dispor as nossas tropas de modo a persuadir o inimigo a não lutar face a nossa vantagem estratégica. Já Clausewitz não abre mão da luta direta pela vitória sem subterfúgios.
Liddel Hart e Clausewitz nos apontam para a guerra tradicional entre soldados , sim, entre soldados de um Estado e outro. Já para os seguidores de Sun Tzu vale tudo.
Destas premissas extraídas das teorias de guerra ensinadas por aqueles filósofos da guerra e que se constituem ainda as principais escolas estratégicas, podemos observar o modus operandi de beligerantes dos mais diversos matizes. Principalmente quando abordamos a ética e moral.
 
Existe guerra justa?
Qual é a diferença entre o terrorista e o militar?

Acredito que daí podemos partir para um raciocínio de ética e moral na guerra. A engenharia bélica militar preocupou-se, nos últimos conflitos ou últimas guerras, ao aprimoramento da munição chegando ao bombardeio inteligente. Sem gozação, se é que um bombardeio é inteligente, porquanto é dirigido especificamente a alvos militares- são as bombas inteligentes ou bombardeio cirúrgico. Já o civil , como vemos nos últimos tempos, pensa exatamente ao contrário: quanto mais mortes melhor e bombas são dirigidas ao público civil, inocente e que nada tem a ver com ao motivação. Esta é simplesmente chamar a atenção para sua maldita causa. Puxa vida, onde chega a maldade humana: chamar atenção ao custo de mortes de quem nada tem a ver....
Este fenômeno não é de agora: assim portaram-se os terroristas em qualquer parte do mundo. Para os de curta memória foi assim também no Brasil num passado recentíssimo.

A guerra é um fenômeno típico do ser humano. Não encontra similar no reino animal, onde as diferenças são tiradas  pela força bruta ou exposição desta, sendo que o mais forte vence e o vencido retira-se respeitando o vencedor.

Nos humanos temos a guerra e o terrorismo, embora este possa se considerar justo sob o ponto de vista dos que o praticam, no entanto, é moralmente indefensável sob todos os aspectos.
Na guerra declarada, militares lutam dentro de princípios próprios, mas mostrando a falência do relacionamento humano no mais alto nível, considerando, e subentenda-se guerra como luta entre nações. De acordo com Clausewitz a guerra é a falência da política. Já o terrorismo não possue princípios. Na realidade possue, mas são moralmente desprezíveis e imorais porque agem de tal forma covarde contra a população que nada tem a ver com a desavença. Na maioria dos casos age dentro do próprio país , chacinando irmãos de sangue sem qualquer constrangimento, a não ser o de mostrar sua força perante o mundo só para chamar a atenção. Daí perderem a razão sempre. Apenas se impõem pelo medo constante. Quando abdicam das armas, são fragorosamente derrotados nas urnas.
Aí reside a grande diferença entre o terrorista e o militar: princípios moralmente aceitos. Contudo, existe o temor de, quando o militar tendo dificuldade em identificar os autores de atentados ou quaisquer tipo de ato de caráter terrorista, usurpar poderes que lhes foram dados pelo Estado, acabar caindo na armadilha daqueles e agindo como tal usando métodos e meios reprováveis, nivelando-se áqueles sediciosos.

Por isso, relutam inúmeros países em aplicar o poder militar puro em ações insurrecionais não caracterizadas como conflitos tradicionais.
O caso é que cada vez mais vemos no campo de luta contra uma guerra nas ruas que se alastra os agentes da lei,  os pacifistas e os pacíficos. Uns de um lado fazem de tudo pela paz e outros não se metem em quaisquer atos de violência.
Os recentes acontecimentos em São Paulo (PCC contra a sociedade paulista) nos dão idéia clara de quem é quem. Contudo, pululam no meio de um grupo que se diz pacifista, pessoas influentes (jornalistas, advogados, defensores dos direitos humanos) que podemos caracterizar como pacifistas belicosos. Ou seja, se dizem pacifistas mas apóiam descaradamente regimes despóticos, ditatoriais  e violentos e não deixam de se posicionar a favor dos que agem premeditadamente contra a sociedade. Vale lembrar o procedimento de um reconhecido humanista travestido de jornalista que, acompanhado de uma deputada, pretendia defender menores infratores rebelados numa FEBEM, mas exigiu aos monitores daquela unidade que algemassem os menores para dialogar.
Mas o que isso tem a ver com guerra e a ética?
Muito, pois a guerra está presente no nosso dia com o ar que respiramos e a ética nunca foi tão discutida e desrespeitada. E nunca tivemos tanto questionamento á ação dos agentes da lei pelos defensores dos direitos humanos que mais agem como agentes dos criminosos, empurrando a guerra a palcos de conflito jamais imaginados.

FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 02/07/2006
Código do texto: T186309

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
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FLAVIO MPINTO