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RUÍDOS DO COTIDIANO


Pessoas tocam a música que gostam de ouvir, da mesma forma que tocam suas vidas. A recíproca é verdadeira. Eu tenho ciência de que sou responsável pelo meu existir e pelas minhas escolhas, desde que me levanto até o meu deitar, como qualquer ser humano.

  Portanto, para elaborar, transformar ou discordar das idéias, discursos, objetos e fatos que fazem parte do cotidiano e da realidade se faz imprescindível minha intervenção como sujeito. Mas, para isto acontecer, é preciso buscar a compreensão dos sentidos, das causas, dos efeitos e da história de cada criatura. Em tudo há um sentir e uma lógica racional. Sem a clareza de significado, toda ação é insuficiente e o seu impacto é ressoante ao gerar uma freqüência harmônica ou desarmônica, uma música ou um ruído.
 
A música pertence à natureza divina. Ela habita a nossa alma. O corpo reverbera o som que ela produz através de gestos e atitudes virtuosas, como: compaixão, bondade, sabedoria e alegria; sentimentos que ajudam a transformar a realidade provocada pelos ruídos do ser humano.

 Basta ouvirmos a música que tocou - e até hoje ressoa - a nós deixada por exemplos que se eternizaram como: Madre Teresa, Martin Luther King, Irmã Dorothy, Dalai Lama, Frei Hanz e tantos outros. Muitos ainda espalhados pelo mundo, até mesmo fazendo parte de nosso cotidiano, podendo ser um amigo, um colega de trabalho ou quem sabe você mesmo, meu caro leitor. O diferencial surge quando colocamos nossa alma naquilo que fazemos.
Os ruídos humanos têm me preocupado, pois passaram a ser constantes em nossas vidas. Suas intervenções são sempre barulhentas e escandalosas provocando um mal danoso à convivência, ao equilíbrio natural das coisas enfim à harmonia entre as criaturas. Eles racham, dividem e nada constroem. Só destroem... De fato são sons totalmente desarmônicos. Olhando para fora do vitral da minha sala de trabalho vejo lírios que eram belos e viçosos e hoje morrem de sede. Eles são uma das vítimas desta ação. Merecem isso? Pois é! Não merecem, mas, infelizmente é o que tem acontecido. Inocentes sofrem sem saber por que.
 
A fábula a Víbora e a Raposa nos mostra um pouco desta condição humana ao dizer: Uma raposa que observa o rio em uma tarde de sol, sem nada para fazer, avistou algo estranho trazido pela correnteza. Era uma cobra venenosa, que descia o rio agarrada a um galho cheio de espinhos - Pois é! exclamou a raposa, cada piloto tem o barco que merece!
 
Nossos ambientes, o que produzimos e as nossas ações ressoam e transmitem o que somos. Divino e humano, música e ruído, ambos pertencem ao mesmo corpo. O humano tem suplantado o divino. O homem se fecha e se distância cada vez mais, da ação divina. Pervertendo-se, não se perverte sozinho, faz questão de envenenar outros homens que, por sua vez, espalham maldades, destruição, desrespeito e insensibilidade pelas coisas divinas e o que antes era música, passa a ser somente ruído.

Francisco Dias Filho
Enviado por Francisco Dias Filho em 05/07/2006
Código do texto: T188098
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Sobre o autor
Francisco Dias Filho
Juazeiro do Norte - Ceará - Brasil, 42 anos
4 textos (164 leituras)
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