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Papaponga I, o sucessor

Papaponga I, o sucessor!

Esta história é uma obra de ficção. Qualquer semelhença com personagens ou fatos reais é mera coincidãncia. (O Autor)

 
        “Uma fumacinha rósea-lilácea pairara no ar, vindo da área de fumantes do centro do Vai-te em Cano.

 Segundo as tradições eclesiásticas, é sinal de que o hermético, conspiratório e poderoso com-cílio postiço papal, também conhecido como Conclave (de Sol), acabara de eleger o sucessor de Karol Woitilla.

 Ora, Woitilla, Montilla, ou seja lá como se escreve, não é, como os amigos quarentões podem pensar, o rum do pirata e patrocinador do Telekéti, mas, na verdade, o nome de solteiro de João Paulo II, antes deste casar-se com a Santa Madre Igreja.

Aliás, com todo o respeito, que Deus o tenha!

Sim, amigos fiéis, muitos foram os chamados, porém o único escolhido fora justamente o menos cotado, aquele que corria por fora, aquele por quem ninguém apostaria um vintém, digamos... o Olaria Atlético Clube, o XV de Piracicaba dos papáveis...

Sim, ele mesmo! O Temível e Ensurdecedor Papa Ponga I.

Sim, este emergente pássaro, brasileiro de nascimento, porém cevado a forno de lenha nas itálicas paisagens paradisíacas de La Spezia, volitara com a sua simplória figura pelas encostas do grande império do Vai-te em Cano, rumo à notoriedade.

Si, é vero! O promovido catecúmeno, a despeito das expectativas, logo mostrara suas garras e prometera uma gestão bem diferente.

Como primeira ordem, por uma questão de fidelidade à classe zoológica a que pertencia, o Pássaro instituíra como obrigatória a oração da Ave Maria. Até aí, nada de mais. Muitos acharam até uma idéia cheia de Garça!

Mas, logo em seguida, uma medida mais polêmica: Papa Ponga declarara-se um preservacionista. E dissera que, como tal, tudo faria para preservar a todas as espécies.

A princípio, julgaram todos que se tratava de mais uma bravata ecológica, inócua e fugaz. “Coisa de jovens idealistas”, diziam os homens graves, com os charutos entre os dentes.  Porém, não puderam conter o espanto e o terror, quando Ponga declarou que estava muito preocupado com a situação das aves de pequeno e médio porte, sobretudo com os perus, pintos e periquitas. E que estes deveriam ser preservados de doenças contagiosas, assim como também, de uma proliferação excessiva e descontrolada de suas ninhadas.

Decidira, então, que cada um deveria vestir uma singela roupinha de látex sempre que julgasse necessário. Chamou a esse plano de “Com-dom Divino”.

 Não sei porque, mas a medida encheu as medidas do pessoal do Vai-te em Cano. Ponga I quase foi em cana. Balançou (não pergunte o quê), mas não caiu.
A terceira medida, porém, foi a que lhe custou mais caro.

Ponga encetara uma vigorosa campanha em favor do matrimônio entre iguais, pois segundo ele, as escrituras diziam claramente ”que se deveria amar os semelhantes”.

Diante disto, os homens sérios e poderosos ficaram sem um contra-argumento e entre uma e outra baforada de charuto episcopal, guisaram a Ave no forno inquisitório. E convocaram, por fim, o Alemão.”
                                                                                Fim
Antonio Sciamarelli
Enviado por Antonio Sciamarelli em 08/07/2006
Código do texto: T189960
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Sobre o autor
Antonio Sciamarelli
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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