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TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Todos os dias somos bombardeados com novas informações que nem sempre revelam a verdade dos fatos. Quase sempre a real causa ou conseqüência de um acontecimento está envolta em um manto de mistério que somente é cristalino para os olhos e ouvidos observadores dos escolhidos. Sinto que sou um deles. Sou um escolhido. Sinto que nasci com um dom avantajado de percepção. Vejo verdades sublimes onde outros vêem simples notícias do cotidiano. Ando vinte e quatro horas por dia com uma mania de conspiração e para onde quer que eu olhe, vejo planos bem arquitetados por pessoas poderosas com objetivos escusos.

Tomemos a vacina da gripe como exemplo. Ou melhor, não tomemos! Sei que ela foi desenvolvida com o único objetivo: controlar os pensamentos daqueles que tomam a dose anual, induzindo à compra de celulares fabricados por uma empresa de alimentação mundialmente conhecida. Como eu sei? Depois de horas de reflexão no lugar mais sossegado da minha casa, há anos atrás, meus olhos se abriram para a verdade e, antes que eu pudesse gritar por papel higiênico, a conclusão bateu no meu cérebro como um martelo: essa história de vacina contra a gripe só pode ser uma conspiração para controlar os pensamentos daqueles que tomam a dose anual, induzindo à compra de celulares fabricados por uma empresa de alimentação mundialmente conhecida. A redundância é intencional para enfatizar essa minha descoberta.
 
Outro exemplo: as três listras de uma certa empresa de artigos esportivos (por motivos de sigilo, não mencionarei o nome da Adidas nesta crônica). Só Deus sabe o que há por trás dessa "marca registrada"! Não amigos, ainda não descobri o que há por trás das três listras, mas tenho certeza de que o objetivo dessa empresa é um só: vender artigos esportivos. Chega a ser vergonhoso...

E o bombardeio continua. Você já parou para pensar na verdadeira razão da novela das oito começar somente por volta das nove? Eu já meu amigos, eu já! E não ouso relatar as minhas conclusões neste espaço. Tomaria muito do tempo do pobre leitor que, eu sei, já está alarmado o suficiente depois da história da vacina. Não quero causar pânico. Meus argumentos são fortes, eu sei, mas um dia todo o mundo saberá que a verdade está lá fora e não serei eu o responsável pela revelação.

Alguns me chamam de maluco, paranóico. Não me importo. Sinto que sou um escolhido. E não é porque me concederam papel e caneta, liberaram uma das minhas mãos e cortaram pela metade as doses de meus anti-depressivos que eu vou me dobrar às regras dessa instituição psiquiátrica. Eu sei o que eles querem... E não é uma foto minha. Sei como as pessoas acabam trancadas nesse lugar e não me importaria, dependendo do patrocínio, em contar a respeito para o mundo inteiro... Talvez em horário nobre... Segue telefone para contato... Eu preciso mesmo dessa injeção...? Quando sair, apaga a luz, por favor...
Rafael Zanette
Enviado por Rafael Zanette em 10/07/2006
Reeditado em 14/07/2006
Código do texto: T191160

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Sobre o autor
Rafael Zanette
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil
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Rafael Zanette