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Sanidade: uma louca visão da vida

Quando não se pode nada, o melhor é ser insano. De que adianta ser criativo. Desejar o mundo, estar vivo, quando falta prazer, quando faltam amigos de verdade, ou quando estamos nos sentindo feios, mal-vestido e desdentados.

Para quem e o que importa querer ser racional, quando a cabeça já não consegue ver razão, quando ela está fundida com o caos?
 
A cabeça pensa e consome a própria sanidade do individuo, ela tumultua, entra em parafuso, vê a luz difusa, arma a confusão, principalmente quando a vida fica maldita,
de consumo, só de obrigações, de modinhas, e nos falta a base. Isso tritura o encanto de tudo.

E aí vêm a regra, a cartilha , a norma do ser normal: Ser sano, aquele que paga as contas sem atraso, anda na linha reta, leva a família para passear no fim de semana. Aqueles que não faltam à aula e nem bebem no intervalo, não transam fora do tom, de quatro etc. e tal.

O sano é sempre o bom exemplo, aquele que não sai da linha; faz todas as refeições do dia e é severo com filhos. Faz poupança, viaja nas férias. Usa o perfume certo pra hora exata. Não gargalha e não anda para trás. Não diz palavrão

E quem fica no caminho, que perde o prumo ou quem se liberta dos arreios, como ficam? Só resta chamar a todos de loucos, transgressores, porra-louca.

Enquanto isso, muitos desajustados caíram na estrada, fizeram da vida existência maluca, fora dos padrões, alguns transgrediram as normas, mijaram fora do pinico; foram pros hospícios, uns pouco até ficaram famosos, cantores, artistas, escritores ou morrem novos. Adeus!

A nós outros, insanos do cotidiano, transgrediram um pouco, sim; beijamos todas as bocas, comemos em muitas louças, saímos de casa, dançamos madrugada afora; dormimos nos sleep-bag e acordamos com o sol; andamos na chuva; chutamos o balde; o pau da barraca, literalmente.

Tomamos vinho barato, dormimos cedo e acordamos tarde; fizemos amor com o príncipe encantado e com o sapo. Fizemos tudo e mais um pouco. É certo que muitos quebramos a cara, mas fomos e fizemos, existimos - tudo o que a sociedade no fundo é louca para fazer e se dobra e ainda nos taxa: Loucos.
Joelma di Ferrarezi
Enviado por Joelma di Ferrarezi em 11/07/2006
Código do texto: T191779
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Sobre a autora
Joelma di Ferrarezi
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
10 textos (759 leituras)
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Joelma di Ferrarezi