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Crônicas da Esquina ( A esquina do Petisco )

 ESQUINA DO PETISCO

Ao tomar ciência das minhas crônicas sobre a esquina, alguém me falou – não sei se o Osmani ou o Rui – de uma outra, no bairro de Noel, que também seria digna de alguns comentários à guisa de reconhecimento: a esquina do Petisco.
Realmente, pode parecer uma heresia eu não ter feito uma referência sequer a um dos bares mais tradicionais de Vila Isabel. Peço, pois, desculpas. Mas, data vênia, talvez existam senões que, colocando neblina em meus olhos, não me permitiram enxergar essa grande falha.
O cunho vernáculo do vocábulo deixam as duas esquinas empatadas. A frequência, também. Presumo que lá, como cá, existam abeiros, caloteiros e penduras. Não fosse assim, a alcunha de bar estaria descartada. Erros ortográficos já os vi ( lamentavelmente no letreiro, esse cartão de visitas ); mentirosos também, e posudos de todos os tipos e tamanhos. Quanto aos preços praticados, cá no Costa também não existem bagatelas, embora as comparações deixem para o Petisco uma boa margem de vantagem. Mas, até aí, tudo mais ou menos igual. No entanto, perguntar-me-ia ( perdoem-me a mesóclise que a norma culta me impõe ) o hipotético interlocutor: onde estão os senões? Então, vejamos: no Petisco tem gente jogando sueca, buraco ou purrinha? Tem aposentados lendo jornal logo pela manhã? Serve-se café da manhã com pão na chapa? Podemos avistar pessoas sem camisa, vindo da praia, sentadas às suas mesas? Acaso meninos engraxates têm o seu direito de ir e vir assegurado sem serem enxotados pelos garções? O estabelecimento vende cerveja? E os suínos pé e orelha, delatam-se nas vitrines expostas? Vende picolé no palito que, junto com o papel ajudam a sujar o chão da casa? Se a todas essas perguntas, a resposta for um rotundo não, então, das duas, uma: temos um bar, mas não temos uma esquina, ou temos uma esquina, mas não temos um bar.
No entanto, nada disso subtrai a notoriedade do Petisco e de seus notáveis amigos, aliás fidelíssimos, como o Peçanha, Paulinho da Aba, Miguel da Banda e tantos outros que não se incomodam de dividirem seu espaço com a miríade de turistas que preferem estar ali, de frente para a 28 de Setembro. Absolutamente, não estou desmerecendo um dos mais tradicionais redutos etílico-gastronômico. O chope, especialmente o bebido no balcão, não perderá sua quase ártica temperatura. e a fraldinha ao molho madeira ainda será como o manjar dos deuses. O caráter lúdico estará assegurado desde que as regras sejam observadas. E aí está o nó górdio: as regras. Esquinas não costumam tê-las. Aqui, por exemplo, temos um estatuto que o Edinho resumiu em dois artigos: Artigo primeiro – É proibido proibir; Artigo Segundo – Revogam-se todas as disposições em contrário.
É isso aí! Valeu companheiro!

                                                                                 Aldo Guerra
                                                                                Vila Isabel, RJ.
Aldo Guerra
Enviado por Aldo Guerra em 23/07/2006
Código do texto: T200118
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Sobre o autor
Aldo Guerra
Rio das Ostras - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
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Aldo Guerra