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Que saudade da minha professorinha...


      Em meio à tanta turbulência várias questões me vem à mente: onde foi parar o nosso tempo? Onde estão as borboletas? Essa e muitas outras perguntas pairam no tempestuoso ar, mas a principal é: para que ensinar hoje?
      Até bem pouco tempo me encantava o ensinar, pensava que podia mudar algo ou alguém, influenciar... O magistério era uma esperança de colaborar para uma sociedade melhor. Mas hoje, esta esperança está se esvaindo, não aos poucos, infelizmente, já não resta quase nada. Por que ensinar hoje?
      Os mais velhos se lembram se suas professoras com saudade, respeito. Ela era a pessoa mais linda, a mais respeitada, tratada como mãe, a nossa segunda mãe. Atualmente, professores e professoras são espancados (e ainda são culpados), ou são agredidos verbalmente, rebaixados moralmente, desrespeitados como pessoa. E ainda dizem que a culpa é nossa: somos despreparados (foi o que disseram).
      Então para que ensinar hoje? A sociedade, o governo, não vê esta como uma tarefa importante, muitas vezes nem os alunos dão importância ao aprender. Compare: dizem que trabalhamos quatro horas e meia, porém, ninguém vê os trabalhos levados para casa, as horas de pesquisa para levar informações atuais aos alunos... Ninguém vê. Para todos trabalhamos quatro horas e meia, e, portanto, merecemos um salário baixo.
      Repito: compare. Leia o edital de um concurso público. Observe atentamente os cargos que exigem curso superior (como o nosso). Os salários destinados a outros profissionais, são bem superiores aos destinados aos professores, será que ainda pensam que trabalhamos só quatro horas e trinta? Alguns governantes ainda acreditam neste conto de fadas. Porém esta justificativa não se aplica, pois se olharmos bem de perto, alguns cargos tem a mesma carga horária dos professores. Então, por que merecemos salários mais baixos?
      A meu ver, porque não valorizam a educação. Será que não merecemos salários dignos para ensinar seus filhos? (Ai, perdoe-me. Não somos nós que ensinamos os filhos de vocês. Ensinamos aos nossos próprios e aos filhos dos pobres).
      Portanto, para que ensinar hoje? Para quem? Não há mais valor, não há mais respeito, não há mais amor. Só há dor.
      Talvez os bons tempos voltem, dizem que tudo volta. Aí, quem sabe, encontraremos a resposta.
      Ai que saudade da minha professorinha...
                                                           Mirna Stambuk 26/05/2009
Mirna Stambuk
Enviado por Mirna Stambuk em 07/01/2010
Código do texto: T2017164

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Sobre a autora
Mirna Stambuk
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
12 textos (195 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 01/10/14 15:17)