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Uns são mais iguais que os outros

Numa determinada época, os animais de uma fazenda resolveram fazer uma revolução. Organizaram-se e expulsaram os humanos, proprietários do local.
Liderados pelos porcos, os animais encontraram na organização coletiva a única forma de sobrevivência, já que não teriam quem os alimentasse, mesmo que fosse de forma racionada, como faziam os humanos.
Para se organizar, foi preciso estabelecer regras e funções a serem cumpridas por todos os companheiros animais, que eram escritas na parede do celeiro, atrás do palanque improvisado para discursos e reuniões lideradas por três porcos, que eram os mentores intelectuais.
Os mandamentos, elaborados em comum acordo com os companheiros, tinham como tema principal e último item a premissa de que “todos os animais são iguais”. Os companheiros deveriam distribuir em partes iguais toda a produção da fazenda e deveriam banir qualquer objeto ou ação que fizesse alusão aos humanos.
Naturalmente, alguns pontos sempre tinham de ser reajustados. A organização coletiva estava em constante mutação, pois era uma nova forma de vida dos animais. Claro está que precisavam se adaptar ao sistema e adaptar o meio aos objetivos da classe.
Aos porcos, líderes políticos do grupo, eram direcionadas as maiores porções de farelos, além de não fazerem nenhum trabalho que exigisse força física.
Um dia os suínos resolveram ir além das fronteiras e entraram na casa abandonada pelos humanos. Gostaram do sofá, da mesa, de tudo. Ao esgotar os mantimentos da despensa, tiveram que aprender a negociar com outros fazendeiros, vizinhos da propriedade.
Os negócios geralmente eram feitos à mesa redonda. Os três porcos e o fazendeiro se inebriavam de tanto vinho. As reuniões tornaram-se constantes.
Certa noite, o burro, cansado de tanta exploração e trabalho forçado, resolveu procurar os porcos para propor mudança de cargo. Não os encontrou no celeiro. Viu que as luzes da casa estavam acesas e resolveu dar uma espiada pela janela. Qual não foi a sua surpresa ao ver os porcos sentados como humanos na mesa, de terno, charuto e a beber vinho!
Desolado, voltou ao celeiro. Não era este o prometido. Afinal, os animais jamais deveriam se comportar como humanos, muito menos negociar com humanos! Teve dúvidas sobre o último mandamento, que ainda estava lá, no celeiro.
“Todos os animais são iguais, MAS UNS SÃO MAIS IGUAIS OS OUTROS”.
J Rossi
Enviado por J Rossi em 27/07/2006
Código do texto: T203048
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Sobre o autor
J Rossi
Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil, 39 anos
10 textos (555 leituras)
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J Rossi