Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O PERIGO IMINENTE

Fui abordada por uma senhora amiga certa manhã:
__ Você não tem receio de andar sozinha nas ruas da cidade?
A senhora, minha vizinha, estava sempre na portaria do prédio que moro, enquanto saia eu para trabalhar em várias cidades próximas e subúrbios da periferia. Ela, estava sempre ali com ar de medo e sem titubear lhe disse:
__Nenhum!
Com a bolsa nos ombros e com certo peso, fui esgueirando-me para poder estar em tempo na casa da cliente.
Assim foram alguns meses, sempre a mesma pergunta. Reconheço que as pessoas não são e não podem ser iguais, mas o medo, é um sentimento e se o alimentamos ele cresce e domina, é igual a qualquer outro sentimento, como o amor e o ódio.
Passara o tempo, mas o medo esse aumentou alimentado por todas as suas dúvidas quanto ao será que se eu sair me assaltarão? Ou levaria eu um tiro, ou uma briga de rua? Serei abordada por um mendigo ou criança de rua? Que farei? Assim desenvolveu uma doença chamada síndrome do pânico, que a levou a ser internada. Como não tenho muito tempo de estar a falar com vizinhos, não que não goste deles ou outra razão o fato é não ter tempo. Ficamos alguns dias sem nos ver, quase um mês. Uma bela tarde, vindo da rua, a portaria cheia de gente e a tal senhora sentadinha lá, escutei um boa tarde fraco e sem forças.Parei e lhe dei um boa tarde vivo e alegre e disse:
Está tudo bem senhora?
Não querida, mas agora vai melhorar!...
Falei;
Que bom! Posso ajudar?
Devagarzinho me puxa e de pronto me sentou ao lado e disse as pessoas:
__Vocês me desculpem mas preciso conversar com essa vizinha.
Percebi o interesse de todos em querer saber do que se tratava, mas ela não deixou ninguém tomar conhecimento e pediu que fossemos sentar distante dessas pessoas, no que aceitei e passamos a conversar.
Ela não queria saber de minha vida, nem tão pouco de meu trabalho. Minha vizinha queria saber que remédio eu tomava, pois estando ali sentada durante muitos meses via eu sair e voltar, trabalhar, fazer compras e ainda ajudar pessoas a minha volta.
Passeie meus olhos naquele corpo frágil, e não sabia o que responder, pois não tomava remédio algum, nenhuma poção mágica me era dada a cada manhã. Respirei e falei:
__Amiga, se eu tomasse alguma coisa estaria me agredindo, tudo que faço é por mero desejo, vontade e liberdade de viver. Passei a lhe explicar que não sofria de insônia, me alimentava normalmente e que isso está ao alcance de todas as pessoas, pelo menos das que mesmo com dificuldades, era meu caso, perseguir um sonho, que é uma necessidade humana.Ter sonhos e realizá-los.
__Mas como? Não consigo nem comer, sair nem pensar.
__Essa é a razão senhora, toda as vezes que repetir que não isso, não aquilo, estará andando para trás, se acuando a si própria em uma cadeia de onde será cada vez mais difícil se livrar.
Experimente entregar seus dias a Deus, saber que ações Lhe agrada que pratique e quais inspirações Ele tem para si.
Uma vez entregando-se ao criador, será impossível não estabelecer um bom uso do invento.
__Invento?
Admirada queria saber de que invento falava eu.
Explico:
__Somos criação de Deus e diferentes uns dos outros, não achará ninguém igual a um outro mesmo que seja um irmão gêmeo, e já há prova cintífica disto.
O seu sonho é total e frontalmente diferente do meu e de qualquer ser humano, as nossas ações precisam somente serem analisadas no ângulo do custo benefício para a realização do sonho. Assim seremos mais seletivos nos alvos e nas ações para ao final conquistar e estabelecer domínio sobre esse sonho.
__ E você conquistou?
__ Ahh!!!! Conquistar um sonho a cada dia esse é o meu segredo amiga.Não dormir sonhando com sonho do dia anterior, mas com a alegria haver realizado um sonho.
_ Mas você sonha assim e realiza?
_ Claro amiga! Viver é meu maior sonho.
A morte é nosso perigo iminente.
Estar viva, um sonho diário, que agradeço a Deus diariamente quando vou dormir sonhando em mais um dia de vida e realizações.
Se ela entendeu, não sei...
A partir do dia seguinte estava sempre voltando de sua caminhada quando eu saía para trabalhar, não a encontrava na caminhada porque eu sempre caminhava mais cedo para poder começar meu dia cedo.Mas o seu bom dia a cada dia me soou mais bom dia!
Há um perigo iminente.VIVER!


Editado em
Riendas  Ediçao  2011
 
Denise Figueiredo
Enviado por Denise Figueiredo em 31/07/2006
Reeditado em 13/01/2015
Código do texto: T205742
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite e o nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Denise Figueiredo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 67 anos
313 textos (14442 leituras)
16 áudios (2928 audições)
5 e-livros (193 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 13:29)
Denise Figueiredo