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A VIDA SE REPETE


  Perdi um amigo.
 

  Sinceramente não gostaria de estar escrevendo este texto, a coisa pior na vida é perder.

  Perdi um lápis na escola já me lembro, foram  dias de tristeza, imagina-se ,  foi - me presenteado por uma professora do primeiro ano, e trazia na bolsa de colégio anos a fio, como  se fosse um amuleto.Era na realidade o elo de uma amizade , como se ela ,a amiga e companheira Dona Lucia, estivesse presente já depois de tantos anos , pois foi dela que escutara uma palavra de ânimo para que não deixasse de estudar, mesmo com a dificuldade que enfrentava na sociedade por uma deficiência  física provocada por um acidente,era vista de maneira diferente, mesmo  assim serviu como se fosse uma profecia o que ela me dissera , anos mais tarde tornei-me uma mulher normal com todas as faculdades físicas como de outra pessoa qualquer.
Correndo as  travessuras normais de uma adolescente, deixei cair o lápis , quando voltei, já outra pessoa o havia pego, não vi nunca mais  a recordação de minha amiga professora.Ainda hoje passados 40 anos lembro-me desse facto em minha vida.

   Perder um amigo nessa altura deixa-me sem o chão, pois minhas janelas da memória aos 15 anos eram mais confortáveis, hoje não são mais, perder é sempre mal. Com o  lápis perdido  dei uma virada na vida, passei a enfrentar perdas de uma nova forma, aprendi que as coisas não tem o valor que as dimensionamos, mas o valor que elas nos trazem na memória.
   
   Ou seja, o lápis tinha o valor da lembrança de minha amiga professora dona Lucia, o incentivo que ela me dava durante o ano que ficamos juntas. Mesmo perdendo o lápis não entreguei a luta, continuei a estudar e fazer o melhor.
A perda do amigo também me trouxe essa sensação, valeu o  período que ficamos juntos.Conversas, conselhos, brincadeiras , diálogos, monólogos  e até mesmo alguns puxões de orelha de parte a parte , lembranças amáveis ou não, algumas palavras escondidas  ou furtadas ou não contadas , seus incentivos a minha  mais recente audácia, escrever poemas e crônicas .

   Preciso ir no fundo de minha reserva de memória buscar força para enfrentar essa perda e dela  tirar dividendos para seguir mais um pouco ,com cuidado agora para não perder mais ninguém, meu disco rígido  não  pode deletar precisa novamente reprogramar mais uma perda. E isso seria um desgaste muito grande.

   Toda perda traz retrocesso na caminhada, são paradas para pegar os  caquinhos do que sobrou e novamente começar.

Sei que como o lápis uma nova amizade o amigo encontrou,mas como o lápis me deixou e consegui ir em frente , crescendo e a madurecendo ,novamente crescerei  vivendo e aprendendo.
Denise Figueiredo
Enviado por Denise Figueiredo em 03/08/2006
Reeditado em 12/01/2009
Código do texto: T207968

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Sobre a autora
Denise Figueiredo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 67 anos
313 textos (14442 leituras)
16 áudios (2928 audições)
5 e-livros (193 leituras)
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