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CARTA DA TERRA

Boa noite, minha amiga. Desculpe a expressão, mas todos os meus habitantes costumam vê-la somente à noite. As noites com você são sempre agradáveis. Deixam nosso céu mais lindo. Quando esplendorosa, te chamam de lua cheia, mais brilhante, de lua nova...mostra apenas uma de suas faces, vira minguante, mostra a outra,  crescente...esse povo é mesmo fascinante! Tenho certeza que você aí de cima, pode ver as coisas melhor que eu. Ou talvez não, você só aparece à noite, não é grande dama? Meus moradores há muitos anos lutam para poder conhecer-te de pertinho. Montam foguetes fabulosos e potentes e já chegaram até sua órbita. Até pisaram seu solo. Não precisa se preocupar, não estou com ciúmes! Apenas não entendo porque eles fazem isso, mas o fato é que fazem. Ao saírem de meu solo, deixam uma espessa nuvem de fumaça e um estrondo que faz tremer minhas estruturas. Mas eu agüento firme! Meu amor por eles é imenso, posso suportar qualquer coisa! E, tenho certeza que compartilhas comigo essa sensação de grande amor e proteção pelos nossos pequeninos aventureiros. É uma graça vê-los brincar de deuses! Eles se sentem poderosos! Desculpe! Peço que entendas minha “corujisse”. Eu não resisto a meu povo. E, sei que eles também me amam! E a ti também! Afinal, amiga lua, há milênios estamos com eles. Na paz e na guerra! Nos momentos de lucidez e de loucura!  Enquanto nosso grande protetor e orientador nos direcionar pelo espaço através das galáxias, estarei com eles e você também estará, tenho certeza.
 Meu objetivo ao lhe escrever não é outro senão mais uma vez agradecer sua compreensão. Você sabe que não agradeço apenas por mim, mas principalmente, pelos meus amados. Eles andam um tanto quanto rebeldes e, apesar dos sustos que temos dado neles, com a ajuda da mãe-natureza, parece que ainda não entenderam o recado. Nossas ações têm gerado sinais que poucos conseguem decifrar. Furações, terremotos e tempestades ceifam vidas que até então estavam sob minha responsabilidade. Eles sofrem, se emocionam e até prometem que vão mudar. Criam documentos, escrevem acordos universais, prometem “criar uma aliança global para cuidar da terra”...no entanto, pouco ou quase nada muda. Envolto às questões econômicas e desenvolvimento tecnológico, esqueceram-se de suas origens e reais dimensões. Ínfimos seres em desenvolvimento, invisíveis diante da grandeza do universo, os humanos estão cavando sua própria destruição. Não podemos deixar que isso aconteça! É preciso um recomeço. Um renovar! Novas atitudes, diante da vida!
Nossas matas estão sendo dizimadas e uma enorme cortina de fumaça com poluentes tapa os olhos de quem não se esforça para enxergar. Doente e obcecado pelo poder, o homem polui os rios e mares em nome do progresso. Vai buscar inspiração no valor monetário e deixa um futuro escuro e sem vida para futura geração. Um legado de incertezas e de sofrimentos!
A verdade amiga é que estou sufocando. A mãe-natureza está sendo maltratada por suas criaturas. Filhos ingratos que negam à sua própria genitora a água para matar a sede de seus rios e mares e o ar puro para refrescar seus campos e cidades.  Não quero morrer sem antes apelar para sua amizade e benevolência. Tu que já fostes inspiração para tantos poetas e fizestes sonhar jovens casais apaixonados, não abandone nossos filhos! Mesmo afastada dos homens tu, ó lua, podes agir em nosso socorro. Sei que amas a humanidade tanto quanto eu. Há milênios controla nossos mares e faz brotar de minhas entranhas o sustento para nosso amado povo!
Quero combinar contigo, minha eterna amiga, que jamais se afaste de nossa convivência. Vamos manter a mesma órbita e sigamos os caminhos traçados pelo sol nessa viagem pelo infinito. Ele é nosso guia e fonte de calor. Brilhará para sempre nos iluminando e nos dando energia. Juntos, manteremos intacta a camada de ozônio que protege meus habitantes; nossos filhos. Façamos com que ressoe nas lembranças de meu povo as palavras do salvador que se fez homem e que um dia implorou ao supremo: “Perdoe-os pai, pois eles não sabem o que fazem!”

Donizete Romon
Jornalista e Escritor
www.petecaeventos.com.br
Doni Romon
Enviado por Doni Romon em 12/02/2010
Código do texto: T2084133
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Doni Romon
Campinas - São Paulo - Brasil, 61 anos
21 textos (1369 leituras)
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