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A noiva rosa

Terça-feira, não é um dia comum para se recomeçar as aulas, estamos tão acostumados às normas. Segunda-feira é o dia do começo, das aulas do ensino fundamental, do regime que nunca termina e sempre recomeça, do desespero...
Bem, um dia as coisas mudam. Terça-feira recomeçaram as aulas, quarta-feira comecei um regime, quinta-feira uma caminhada...A verdade é que eu gosto disto, de não estar sempre de acordo com as normas, mas com o que sinto.
Na sexta-feira feira amanheceu um dia frio, manhoso, até tímido, mas era fácil olhar pro céu e perceber que logo iria esquentar... Esse é o clima dessa cidade, desse povo, quente...
E pessoas morrem por isso em outros países...
Hoje acordei com a nítida impressão de estar deixando tudo passar desapercebido, coisas simples, que às vezes fazem tanto sentido não estão fazendo parte do pacote. Decidi mudar um pouco isso...
Foi quando me deparei com ela, no estacionamento do condomínio. Linda, grande, imponente, não única, mas tão especial. A gente se preocupa tanto em ser diferente, marcante, sem perceber que isso é impossível, um dia todos se esquecem, mas aquela impressão especial que ela me deixou naquele início de dia foi marcante, único.
Talvez isso seja tão especial quanto qualquer outra coisa, não era necessária ser a única, a melhor de todas. Era apenas uma árvore que de repente ganhou uma conotação especial para mim...
Os galhos espaçados, algumas folhas verdes, e de cada braço pendendo um buquê rosa claro. Tão bem composto que fazia qualquer florista sentir inveja.
Uma junção perfeita, daquilo que o homem mais odeia, a ordem da natureza, que insistem em mudar, rearranjar, bagunçar.
Fiquei ali, alguns minutos admirando sua beleza, como há muito tempo não fazia. Quando era pequena tinha uma afinidade nata, especial acho, para natureza, um dia isso mudou para mim. Mas nesta manhã, fiquei ali, boba de ver como é grandiosa e majestosa. Somos apenas um capricho, que pode custar muito caro.
Enfim, depois de vê-la, a noiva rosa, tão especial assim, por ser normal, e quase ninguém notar, prossegui meu caminho e continuei meu dia. Passando e deixando um “bom dia” especial, uma alegria diferente, buscando na surpresa das pessoas um sorriso diferente. Quem sabe, acreditando que tudo possa mudar...
Depois de dias tão desanimadores, depois de mesmo, não crer na política, no povo, depois de esperar o pior e pensar como é doloroso se acostumar com toda essa hipocrisia, enfim, um dia em que pude sorrir em paz. Não sei dizer, até quanto pessoas especiais fizeram a diferença, mas sei dizer que são pequenos momentos que tornam nossas vidas, enfim, mais significativas.
*Obs.: Desconsidere o número de vezes que escrevi a palavra especial, era para ser assim.
Jule Santos
Enviado por Jule Santos em 08/08/2006
Código do texto: T211548
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Sobre a autora
Jule Santos
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 29 anos
234 textos (13249 leituras)
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Jule Santos