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O Puteiro chamado Brasil

        Ontem,caminhando pelo centro da cidade, em meio ao tumulto de cidade grande e a correria dos atarefados, tentando me desviar daquelas pessoas, pois alguma coisa me dizia que todas tinham alguma coisa importante e inadiável a ser feita e eu, ali, só fazia o progresso do mundo se atrasar. Eu, a pedra no sapato.
        Em meu desespero inconsciente entrei numa loja de discos ao lado, pensando em tomar fôlego e seguir meu caminho pra casa e, no meio ao meu refúgio de acalmia, no meu círculo isolante, uma coisa me chamou a atenção dentre vários cds. Vi ali perdido, um disco antigo, talvez nem tanto se você for uma pessoa com mais 40 anos, mas eu, nos meu 30, o reconheci. Lá estava ele, “Que país é esse” da banda legião urbana. Lembranças da minha infância vieram como uma bomba em minha cabeça. Sempre amei Legião, e sei que muita gente com seus 20 e poucos anos também gosta muito, mas não tanto como eu... Lembrei das letras, daquele jeito esquisito do Renato Russo dançar no palco, que de ridículo passou a ser fantástico, um ritual ao desespero, a rebeldia, ao amor... Lembrei-me de outros que como ele cantavam a minha adolescência, Lobão, Rita Lee, Juba e Lula em armação ilimitada, a versão original de Sítio do Pica-pau amarelo, Balão mágico... Não que sejam tão antigos assim, mas sem que se passasse tanto tempo,  rapidamente tornaram-se velhos... Me dói o coração saber que hoje não há muito o que se escutar... O que poderia? Calypso? É o chan? Pagodera? Complicado...
     Assassinaram a lógica, a música, a poesia, a melodia, a ingenuidade de nossas crianças que hoje ouvem Kelly Ki, fazem chapinha no cabelo e se vestem como a Xuxa... Destroçaram a fome de justiça dos jovens que ouviam letras contra a corrupção, contra o amor banal, deram-lhes o sexo animal, sem amor, sem sentido, sem o romantismo de Cazuza... Penso: O que virá depois? Pois é, a evolução anda pra trás. Cadê a ingenuidade de Rosinha? Cadê a rua cheia de diamantes? Para onde foi o amor de John Lennon? Demoliram a casinha de sapê e no lugar puseram um puteiro cheio de bundas e peitos, cheio de meninas semi-nuas rebolando em programa de domingo e meninos que sonham serem traficantes ao som do Hip Hop...     Desculpe a grosseria, mas vou já desligando meu radinho, pegando meu violão, desligando o computador, e me vou a cantar, mesmo que desafinado, uma de Tom Jobim...
Gilmar Takano
Enviado por Gilmar Takano em 10/08/2006
Reeditado em 24/11/2007
Código do texto: T213450
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Sobre o autor
Gilmar Takano
Londrina - Paraná - Brasil, 40 anos
19 textos (2515 leituras)
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Gilmar Takano