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A melhor pretensão humana

A melhor pretensão humana
 
Li num livro de algum de meus filósofos preferidos (Nietzsche?) que ser amado é a maior pretensão que o ser humano pode ter. Realmente, tendo em vista que o amor é o maior dos sentimentos, desejar que os outros o sintam por nós é um anseio de ordem astronômica.Amor se conquista, surge quando existem afinidades, simpatia, nasce daquilo que chamo de "convergência de almas". Se ser amado é a maior pretensão do ser humano, ser respeitado é a melhor.
"Respeito é bom, e eu gosto!". Quem nunca ouviu essa frase, ou não nasceu neste planeta, ou morreu ao nascer, ou, simplesmente, não sabe o que a palavra respeito significa. Respeitar aos demais demonstra leveza de alma, amor no coração, não amor a quem se respeita, vez que se deve respeitar à todos e, via de regra, não amamos quem nos é demasiado diferente, ou, por algum motivo nos feriu, mas podemos e devemos respeitar estes seres com sua individualidade e forma de ser, pensar e agir divergente da nossa.
Dou-me o direito de adaptar a menção de Cristo ("amar ao próximo como a si mesmo), para: "...respeitar ao próximo como a si mesmo".Enfim, não fazer ao outro o que não se deseja para si, não tratar com hostilidade, não humilhar, não desejar ou fazer o mal, simplesmente, respeitar e tentar compreender que as pessoas são diferentes entre si e que é ato demasiado orgulhoso crer-se aos outros superior a ponto de somente "aceitar" e "respeitar" quem consigo se parece. Falta de amor indicia infelicidade, falta de respeito indica primitivismo psíquico, ignorância de alma.
Não acredito naqueles que "dizem que amam", acredito naqueles que respeitam os sentimentos e a forma de ser alheias, porque quem não respeita, não tolera diferenças, e quem não sabe ser tolerante, via de conseqüência, não sabe amar verdadeiramente. Respeitar é aceitar, relevar, amar é tolerar até mesmo "pequenos desrespeitos". A tolerância, assim como o amor entre as pessoas (em especial entre casais), pode findar, contudo o mais importante é que o respeito não termine, porque se isso ocorrer os indivíduos passam a se tornar sujeitos de muitos sofrimentos.
Quem rejeita alguém por não aceitar as diferenças, quem deseja se "apossar" de outrem, das idéias e dos sonhos de outra pessoa, quem deseja impor sua vontade acima de tudo sem aceitar a opinião alheia,  infelizmente, age desrespeitosamente. E, aquele que não possui capacidade para respeitar demonstra ausência de amor na alma, se demonstrando incapaz de amar. Respeitar é aceitar o oposto, é entender que cada ser é livre em sua existência: livre para pensar como lhe convém, para dizer o que acha correto, e agir como acha justo, sempre, obviamente, respeitando o mesmo direito do outro.
Respeita a si mesmo quem se conhece, quem sabe o que deseja, que se ama e possui amor no coração, quem possui uma alma liberta, e, desta forma, compreende as diferenças, não ignora às pessoas, mas sim às divergências na sua forma de pensar, aceita que, assim como ele é livre, todos o são, ademais apenas com respeito entre as pessoas é que a humanidade poderá se tornar um pouco mais humana, porém, menos errante.
Respeito é um ato de humildade, é preciso se auto-analisar e se modificar antes de se pretender analisar aos demais ou lhes modificar, antes, inclusive, de se desejar uma mudança mundial, pois se o "mundo interior" dos indivíduos esta mal a ponto do desrespeito humano ser tão grande, é impossível se desejar um mundo "exterior" diferente, enfim, melhor.
 

 
Cláudia de Marchi

Passo Fundo, 26 de outubro de 2005.
Cláudia de Marchi
Enviado por Cláudia de Marchi em 15/08/2006
Código do texto: T216919
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Sobre a autora
Cláudia de Marchi
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
12 textos (962 leituras)
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Cláudia de Marchi