UMA DOR INSUPORTÁVEL !!!!!!!!

A maior tempestade da história do estado do Rio de Janeiro, ocorrida em abr/10 que acarretou diversos desmoronamentos, com inúmeras residências soterradas e famílias inteiras dilaceradas, tem gerado diversas histórias revoltantes e comoventes divulgadas pela mídia, sendo que duas em particular foram as que mais me chocaram e que relato abaixo.

Quando vi uma reportagem na televisão em que moradores de áreas de risco iminente optavam por não abandonar suas casas, fiquei impressionado com o nível de desespero que estas pessoas se encontram, não vendo opções na vida a não ser manter a si e a sua família sob a perspectiva de uma morte anunciada, não como seres humanos, mas como se fossem gados no abatedouro a espera da morte certa. Inicialmente me ocorreu que era uma irresponsabilidade absurda por parte deles, mas pensando mais a fundo e tentando ver as coisas sob a sua perspectiva... Sinceramente, não tive coragem de julgar sua atitude, não é legítimo que eu emita juízo de valor sentado confortavelmente na minha poltrona, amparado na segurança e no calor da minha casa de classe média enquanto digito no meu lap top.

Transcrevo a seguir um trecho da reportagem da Revista Veja, edição 2160 de 14/04/10:

Talvez uma das mais comoventes cenas produzidas pela tragédia tenha sido protagonizada por Walmir França da Mata, 50 anos, que perdeu o filho, Marcos Vinicius, de 8 anos. Com as duas pernas presas nos escombros da casa que desabou, o menino permaneceu vivo durante doze horas, período em que não parava de suplicar: “Pai, me tira logo daqui”. Walmir, que ajudava os bombeiros na operação de resgate, renovava as esperanças. “Eu estive muito perto do meu filho, mas não consegui tirá-lo de lá”, conta ele, que entrou em desespero ao testemunhar um novo desabamento, ao qual Marcus Vinicius não sobreviveria. Já com o corpo do menino no colo, seu pranto se misturava ao de vizinhos que também haviam assistido, de perto, à morte de familiares.

Tenho dois filhos, simplesmente não consigo imaginar a dor que este pobre homem sentiu ao ver e ouvir o filho tão perto, chamando seu nome enquanto suplicava por ajuda.

Imagine assistir impotente enquanto a vida de seu filho é ceifada diante de seus olhos. Não existem palavras para descrever o que um homem sente num momento destes.

Não sei se este pai vai continuar respirando ou dar um tiro na cabeça nos dias que virão, mas uma certeza eu tenho: com tiro ou sem tiro, o que restou daquele momento em diante foi uma casca vazia, pois sua vida no sentido pleno da palavra se foi junto com o filho.

A tragédia do Rio foi nova, mas as razões porque ela ocorreu são velhas conhecidas de todos nós: colapso econômico-social, políticos corruptos, políticas “populescas e votescas”, etc...

Até quando, nós que somos as camadas mais esclarecidas da sociedade iremos admitir tais atos e continuar confortavelmente sentados em nossas poltronas estofadas?

Até quando ficaremos somente emitindo “opiniões contundentes”?

Até quando ficaremos somente nos “solidarizando” com estas pessoas?

Até quando ficaremos somente organizando “correntes de oração”?

Até quando ficaremos na teoria ao invés de ir para prática?

Até quando? Até quando????????