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A CAVERNA...

Era tarde da noite e eu não conseguia dormir. Abri um livro qualquer, mas juro que não me lembro de ter lido as suas páginas, ou não. A confusão em minha mente desastrou minhas ações e até hoje não sei se estive ausente, tal qual Dante, ou ali mesmo, apenas lendo um livro de ficção. Presenciei, tudo vi e ouvi. Versava assim...

Nada havia de concreto ou de extremo na formação.
Diria mesmo que tudo não passava de pura imensidão.
Mas houve ali um diálogo entre seres. Talvez o primeiro do início de tudo ou o último que finalmente estabeleceria a divisão. De mundos, de Universos, ou do que se espera pela comunhão.
A súplica de um era o regozijo d’outro.
Não havia entendimento. Mas prestem muita atenção, e talvez entendam:
_Já é hora, já é chegada a aurora e você ainda aqui? Não se apercebe do mal que me aflige ao te observar na inércia do nimbo?
_Sai tu da minha frente, medíocre ser de natureza viril e inconseqüente. Somos cria da mesma mão que outrora já fazia o incrementado caos na imensidão.
_Pobre Pai que desperdiçou contigo tamanha energia e que nem mesmo percebeu a mão traíra de um filho teu. Sucumbirei milhões ou até mesmo bilhões no Universo em que me encontro apenas para te anular, e quando eu mesmo os teus gritos calar, ainda lembrarei do mal estar que me causou.
_Só podes mesmo é falar, blasfemar contra tua própria hipocrisia. Não tens a condição para me anular. Esse talvez tenha sido o grande defeito de nosso ente, que agora ausente não pode a ti revelar que me dotou de malícia e um péssimo caráter e a ti, sobrou inocência e compaixão. És idiota de natureza, és a pura nobreza.
_Sou o que restou da revelia do teu nascimento, mas conquistei o meu espaço no coração.
_Que coração? Aquele que deve sempre algo prometido? Aquele que chora nas manhãs ao te cumprimentar? Ou aquele que espera que por tuas mãos todos os problemas estejam resolvidos num piscar de olhos, toda a batalha será vencida?
E continuou...
_Esses eu não quero jamais. São fracos e inconstantes por não saberem como a causa realmente funciona. Esses, você pode levar quando sair por aquela fenda e for embora, até o dia em que ao teu cretino mundo se mostrar.
_É você quem deve sair.
_Venha então me tirar. É cômica essa ação heróica aqui entre nós dois. Não podes me tocar em tua atual condição de Nobre. O manto limpo não pode se sujar. Não encontrarias aqui água das mais límpidas para se banhar.
E continuou...
_Você irá, até chegar o tal momento em que ignorar a ética e resolver me enfrentar. Tomará então para si tudo que tenho agora, e eu tentarei noutros mundos, a minha última vitória.
_Sabes que voltarei um dia, não sabes?
_Se criar algum tipo de coragem. E ande rápido pois as coisas cansam de esperar. Ah, venha logo, pois essa condição me deixa molesto. Venha depressa. Se é súplica o que quer, te darei algumas. Venha logo.

Um breve silencio, reflexões, e ele partiu.
Está agora em algum lugar tentando arquitetar uma forma de satisfazer a ansiedade daqueles que esperam uma ação, uma atitude. Ou não estará fazendo nada...
 
Fechei os olhos, ou os abri, não sei. Só sei que não mais refleti. Você consegue entender?
O Guardião
Enviado por O Guardião em 24/08/2006
Reeditado em 06/09/2006
Código do texto: T224265
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São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
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