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Quase o fim

Mais um dia de angustia e sofiimento, acordei com o peso do mundo em minhas costas. Tive um dia extremamente dificil, cheguei atrasado no trabalho e o meu chefe já queria descontar da miséria que é o meu salário, sem falar que fui virado, pois tinha ido a uma festa rever alguns amigos. Por não ter dormido em casa fiquei a noite sem falar com minha namorada e o primeiro telefonema que eu atendi hoje foi o dela perguntado se eu não gostava mais dela, se era melhor acabar com tudo, aquele drama feminino, disse que não, que ainda a amo e que tenho certeza de que iríamos morar juntos constituir uma família em um futuro bem próximo, ela não levou muito a sério mais no final tudo ficou como esta.
Depois fiquei sozinho me perguntando como seria possível para eu não estar mais aqui nesse mundo insano, cheio de estranhos por todas as partes? É porque minha vida é um saco, todo dia a mesma coisa, esta insuportável continuar a carregar o piano na subida, cheguei no meu limite, tive uma infància boa, consegui realizar alguns dos poucos desejos que tive na vida, tive uma família ótima que ao menos não me tratava como se eu fosse um objeto, uma coisa descartável, cheguei a Ter uma banda de rock fazendo alguns shows pela cidade, transei com algumas putas que valiam menos que um pedaço de papel, me drogava constantemente em busca de um prazer imediato, uma fuga desse mundo tempestivo e cruel, consegui comprar um automóvel que só me deixou mais dependente e escravo da máquina, visitei algumas cidades históricas do Brasil, e de outros países era isso esse tinha sido o meu limite de vivência, pois sabia que teria que trabalhar pelo resto da vida para manter minha existência, que teria que conviver com milhares de seres que chegam a me dar nojo, minha vida se resumia em passar os dias da semana enfiado dentro de ônibus, metrô lotado, transito, escritório e nos finais de semana, sexo e maconha trancado dentro do quarto escuro com a minha garota, não existia grandes novidades, nada mudava, e nada que vinha do ser humano não me estranhava, por isso que sempre preferir tratar alguns seres, como muro, paredes ou pedaços de chão que a gente limpa a merda, nunca esperava nada do ser humano por que esses pelo contrário só me cobravam e sempre esperavam o melhor de mim. Devido essa pequena reflexão que eu tive por poucos minutos que se passaram-se dentro da minha cabeça, resolvi dar um basta em tudo. Peguei um cinto velho do meu pai que já tinha batido as botas, escrevi um bilhete dizendo que amava a todos e que não agüentava mais continuar a viver, meu ciclo aqui na terra tinha chegado ao fim a grande roda gigante da vida havia emperrado de vez. Amarrei o cinto no teto de madeira do meu quarto, apaguei a luz e ascendi uma vela, comi a refeição que mais gostava bife com batata, ascendi o último cigarro e quando fechei os olhos para embarcar, ouvi uma leve batida na porta, pensei seja quem for eu não vou abrir, a porta estava trancada, quando ouvi uma voz suave, baixa lá no fundo, titio, eu ama você, as lagrimas desceram na hora, tirei o cinto do pescoço era minha sobrinha de dois anos, me perguntando o que eu estava fazendo, percebi que ali naquele brilho no olhar é que tinha algo além dessa droga de vida que eu mesmo tinha escolhido para eu, cai em prantos, abraçando e beijando a minha pequena, parei e pensei que as mulheres da minha vida não tinham que sofrer por minha causa, exemplo minha mãe, minhas irmãs e minha sobrinha e minha namorada, percebi por um instante que elas não tinha que passar por aquilo, sofrer por minha causa, não justo essas pessoas que sempre me deram carinho, amor e proteção, dei um abraço bem apertado na minha princesinha, quando elas apareceram perguntando o que tinha acontecido, por que estava daquele jeito e chorando, eu respondi é uma longa história.
bandini
Enviado por bandini em 25/08/2006
Código do texto: T224980
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Sobre o autor
bandini
São Paulo - São Paulo - Brasil, 34 anos
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