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Nova República

O pé no chinelo, o corpo Verga, tenho uma batata bem aqui na boca do estômago. Minha aparência é de nojo, de vômito, tudo mexe dentro da barriga.
Antes da higiene engulo alguns comprimidos. A cabeça também dói: Foi a genebra. Já havia prometido não beber aquela “água”; Agora não há jeito o leite, esvaiu-se, Inês é morta!!!
É a enxaqueca – onde está a neosaldina... mais dois comprimidos descem pela boca sonolenta e blásfema. Agüenta coração!
Ontem eu não pensava assim, foi exagero ... traiu-me o organismo e para completar hoje é segunda-feira.
A roupa desce obediente pelo corpo acostumado a vinte e poucos anos com a mecânica maçante do ritual vespertino.
São sete e quinze o sol está alto a vista dói, o estômago incha a cabeça explode. Desligo as marteladas ferrenhas uníssonas e agudas do despertador do relógio de pulso: as demissões serão primeiro incentivadas depois compulsórias..., Fala-se em remanejamento. No nosso setor pululam funcionários. A ordem é enxugar. O Brasil mudou com o plano real e a pobreza diminuiu, o povo come mais. Merda perdi milhares de oportunidades fora da empresa... Minha carranca contraí-se mais... aperto com os quatro dedos o estômago e esqueço por alguns segundos que ele existe. A sala explode em sol, contraio as pálpebras e procuro os óculos escuros.Tudo parece com a técnica de Hitlher. Muita ironia: - Está na hora do banho ... Diminuir a pobreza a custa do desemprego; sobe um prato da balança desse o outro. O jeito é vender o apartamento ir para um menor, até... O ácido gástrico desperta-me entupindo-me as narinas e abrasando-me o esôfago. Certamente hoje não é meu dia. Esqueci o crachá, subo os três lances de escada e abro as mil fechaduras: Ladrões soltos e cidadões trancados.
O Presidente falou que só a estabilidade da moeda não resolve, é preciso o engajamento da sociedade o IPMF foi aprovado,porém não basta! Talvez eu ajude abrindo as portas do meu apartamento para uma crèche. Ironia... Ironia... Ironia... Safadeza! As elites resistem, estão mais ricas e o Sr. Presidente pede sacrifício.
Nas grandes capitais a morte já não assusta. Não chamam a atenção as manchetes de primeira página com fotos de mortos à escolher: virou banalidade. A televisão mostra o homem vivo depois sua agonia e morte. A morte é trivial, a quem interessa?
Tem um sorriso enorme bem na porta – lembra propaganda de dentifrício, motivo de carnaval – por trás do sorriso tem um menino. Abaixo a vista, entro. Deus ajude mal suporto a profundeza do meu ser em larvas de fogo.
Sento-me, os papéis me olham, espreitam-me. Ligo o computador e um grande, plácido e inocente sorriso hoje é meu papel de parede. Agradeço ao programador e hipnotizado, claudicante,começo mais um dia trabalho.

OS: Esta crônica foi feita, durante o governo terrorista do Sr. Fernando Henrique Cardoso.
Ananda
Enviado por Ananda em 25/08/2006
Reeditado em 24/05/2008
Código do texto: T225245
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Sobre o autor
Ananda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 65 anos
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