Não há como negar, o Distrito de Barra de São João pertencente ao Município de Casemiro de Abreu no Estado Do Rio de Janeiro, abriga um acervo histórico de valor incalculável, a Casa em seu estado original do Poeta das Primaveras Casemiro José Marques de Abreu as margens do Rio São João, no mesmo Distrito está seu tumulo com as pombas tão citadas em seus versos ornando o mesmo. Fazer um passeio aqui é voltar no tempo e sentir uma vontade imensa de ficar lá naquele passado tão encantado e vivenciar as paragens e cenários da natureza belíssima a qual o Poeta tanto amava. Abaixo em seu poema Canção do Exílio externa muito bem esse amor que ele tinha por sua cidade natal. As imagens são da Casa em duas tomadas de foco, de frente e a lateral. Hoje a mesma além de abrigar os pertences Literários do Poeta, conserva também em permanente exposição objetos que fizeram a história do Município, são promovidos também cursos de artes, saraus e lançamentos de novos talentos em todos os seguimentos do mundo artístico. Espero que um dia vocês possam ter a oportunidade de visitar esse acervo de grande valia e beleza histórica.

Canção do exílio


Se eu tenho de morrer na flor dos anos
         Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
         Cantar o sabiá!


Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
         Respirando este ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
         Os gozos do meu lar!


O país estrangeiro mais belezas
         Do que a pátria não tem;
E este mundo não vale um só dos beijos
         Tão doces duma mãe!


Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
         Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
         O céu do meu Brasil!


Se eu tenho de morrer na flor dos anos
         Meu Deus! não seja já!
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
         Cantar o sabiá!


Quero ver esse céu da minha terra
         Tão lindo e tão azul!
E a nuvem cor-de-rosa que passava
         Correndo lá do sul!


Quero dormir à sombra dos coqueiros,
         As folhas por dossel;
E ver se apanho a borboleta branca,
         Que voa no vergel!


Quero sentar-me à beira do riacho
         Das tardes ao cair,
E sozinho cismando no crepúsculo
         Os sonhos do porvir!


Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
         Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
         A voz do sabiá!


Quero morrer cercado dos perfumes
         Dum clima tropical,
E sentir, expirando, as harmonias
         Do meu berço natal!


Minha campa será entre as mangueiras,
         Banhada do luar,
E eu contente dormirei tranqüilo
         À sombra do meu lar!


As cachoeiras chorarão sentidas
         Porque cedo morri,
E eu sonho no sepulcro os meus amores
         Na terra onde nasci!


Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
         Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
         Cantar o sabiá!