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Do Gates ao Bucaneras, por que hoje é sábado!



Semana finda. Noite de sábado. Pensamentos cruzando fios. Telefonemas insistentes. Muitos ainda mudos. Silêncios opcionais. Solidões compulsórias. TVs acesas. As possibilidades cadentes, feito estrelas. Bar? Boate? Pub? Festa? Vídeo-locadora? Cinema? Edredom? Motel? Calmante? Antidepressivo? As ruas largas do Eixão abrigam faróis em oposição. Vestido ou saia? Blusa pólo, camisa ou camiseta? Sutiãs e cuecas selecionadas. Os solteiros se preparam. Alguns casados mais afoitos também. Casais inteiros idem. O roteiro da dúvida se traça. Vamos no mesmo carro? Pego você em meia hora? Seu cartão tem crédito? Mãe cadê meu sapato rosa? Elisabeth já falei para você não usar meu perfume todos os dias. Ih, o creme de barbear acabou. Essa meia tá furada porra. Caretas no espelho. A cidade está inquieta. As filas se formam. Bonés. Carecas. Escovinhas. Chapinhas. Cabeludos. Cachos. Celulares nas orelhas. Brincos também. Cera quem sabe? Dialetos ocupando os ares. Carros em filas duplas. Manobristas. Buzão. Carona. Metrô. Táxi. Finalmente decidem. Gates. Rock. Tum. Tum. Tum. Pam. Pam Pam. Yeah. Yeah. Bebidas se atropelam nos balcões. Sorrisos se desencontram. Olhares se perdem. Bocas se acham. Mãos tateiam. Beba mais. Beba menos. Vodkas lambendo vinhos. Chopps. Água. Tum. Tum. Tum. Desejos caindo na pista de dança. Corpos à procura de prazer. Sacolejantes. Paralisados. Alternantes.  É madrugada. De repente um vazio. Onde foi parar aquela gata morena? Cadê aqueles olhos azuis da última música? E o… O número de gente diminui. A conta cresce. Parada obrigatória. Aplicar o plano B. Bucaneras. Dancing. Tam. Tam. Tam. Pem. Pem. Pem. Suores. Horrores. Tropeços. Gargalhadas. Vista ao longe. Esbarrões descuidados. Esbarradas escolhidas. Oi. Oi. Tudo bem? Tudo bem. Plano C. O ataque. Vencem. Perdem. Desistem. Sobram. Soldados em final de batalha. Guardanapos molhados. Copos esquecidos. Trincheira vazia. Todos camuflados. Míopes. Falas atrapalhadas. Solidariamente se unem. Comunicação ébria. Quase manhã. Acerto de contas. Fechamento de caixa. Encerra a madrugada. Ressaca no domingo. O balanço ao acordar. Sozinho. Acompanhada. Perdido. Apavorada. Apaixonado. Arrependida. Pelado. Descabelada. O sol nasce. Sujeitos confusos. Verbos conjugados. Adjetivos mastigados. Palavrões reservados. Redação sem título. Texto sem conclusão. Melhor começar outro parágrafo. Semana finda. Acabou o sábado…
Solange Pereira Pinto
Enviado por Solange Pereira Pinto em 29/08/2006
Código do texto: T227630
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Sobre a autora
Solange Pereira Pinto
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 49 anos
59 textos (37617 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 10:28)
Solange Pereira Pinto