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INDUCASSÃO...PARA TODOS ???

O Brasil é um país engraçado, para parafrasear Charles de Gaulle, quando disse que “este não é um país sério”, frase que ele mesmo negara veementemente enquanto vivo. Mas não é preciso que nenhum francês venha visitar estas bandas do sul do Equador para constatar esta verdade...se o melhor do Brasil é o brasileiro como já disse Câmara Cascudo, imortal folclorista nacional, o pior do brasileiro é a falta de zelo com seus filhos.
  Digo falta de zelo, de cuidado, porque é justamente esse o ponto principal da educação neste país. Como forma de receber recursos externos, via ONU, BIRD, entre outros, o Brasil produziu, de forma abundante, diplomas e certificados nestes últimos 10 anos. Nunca as gráficas imprimiram tanto papel que viriam a servir como constatação de que fulano ou beltrano estão alfabetizados, e virar, no final das contas, massa de manobra para as gerações atual e futura da classe política tupiniquim. É matar a vaca para acabar com o carrapato!
  É lamentável o nível educacional de nossos alunos, que beira a mendicância intelectual. Aprovamos verdadeiros ignorantes, no sentido lato da palavra, pois ignoram a tudo e a todos, fazendo de suas vidas marionetes dos espertos e aproveitadores. Não raro encontro ex-alunos que estão em subempregos ou desempregados, quando não muito se enveredam na criminalidade. Vivemos na cultura do Seu Creysson, da Solange do BBB, onde falar errado é sinal de popularidade e mal sabem estes que também são fantoches usados para criar outros tantos Brasil afora. Trocamos Drummond e Vinícius por revistas e jornalecos que não nos acrescentam um mínimo de cultura e afundamos cada vez mais na areia movediça plantada propositadamente por emissoras de rádio, televisão e imprensa marrom. Tudo que eles precisam é de nossos pescoços para fora deste pântano (para que possamos assistir aos seus programas de quinta categoria), imobilizando o restante de nosso corpo e atitudes.
  Se nossos hospitais tratassem seus doentes como os educadores do alto clero tratam seus alunos, com certeza estariam vazios. Bastava um doente em coma piscar um olho e o médico diria: “Ótimo! Ele está vivo, pode ir para casa!” Parece esdrúxulo, mas essa comparação é verdadeira em gênero, número e grau. Basta que um aluno saiba escrever seu nome e fazer 1+1=2 que ele tem um diploma assim, branquinho, novinho em folha...igualzinho ao seu cérebro. E não se trata de estar assim por falta de verba pública. basta dizer que, somente no Estado de São Paulo, cada aluno custa (pasmem!) US$200/mês. Isso é muito mais que muitas escolas privadas cobram, portanto, não será difícil imaginar um cenário em curto prazo de termos a Educação, pública, privatizada e caindo nas mãos dos mercenários que alimentam poderosos lobbies da educação em Brasília.
  Diante deste caos e deste panorama pintado em cinza, o que fazer? Não existe receita de bolo para estas questões, são mais sérias do que imaginamos, mas, se você quer salvar seu filho, ou quer salvar a si mesmo da mediocridade que permeia em nossas salas de aula, preste atenção em algumas dicas:

• Adquira hábitos de leitura: procure em sua escola livros que venham acrescentar sua cultura; leia os clássicos, os grandes autores para adquirir senso crítico e uma visão mais ampla da vida. Faça da leitura um hábito diário, mesmo que em pequenas porções. Logo você estará lendo de forma dinâmica e prazerosa;

• Organize grupos de estudo, tenha prazer em estudar, em saber mais do mundo que te rodeia, e isso envolve todas as disciplinas. Desenvolva projetos pessoais ou coletivos de melhoria em sua qualidade de ensino;


• Lembre-se sempre de que qualquer governo humano a-do-ra ter um povo ignorante. Assim foi com Hitler, Mussolini, Stalin, os vários Reis da Idade Média e, porque não dizer, alguns governantes atuais. Um governo que não encontra críticos em seus governados é o sonho de todo déspota, esclarecido ou não.


Não quero ser alarmista ou pessimista, mas é preciso mostrar a realidade. Estamos num salve-se quem puder em questão de educação pública, portanto, salve a sua pele. E seu cérebro também.


Texto: Marcelo Lopes
Professor de ciências exatas no ensino médio, pós-graduando em Química pela UFLA-MG.
Marcelo Lopes
Enviado por Marcelo Lopes em 07/06/2005
Código do texto: T22849
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Sobre o autor
Marcelo Lopes
Guarujá - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Marcelo Lopes