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O carro do genro

Dona Eva foi visitar a irmã na cidade vizinha de onde morava. Já havia anoitecido, quando estava na entrada de sua cidade. Estava mal humorada. Voltava num ônibus nem um pouco confortável. Isso porque o genro não pôde buscá-la. Disse que estava sem carro. “O inútil inventou isso”, pensou amargurada.
Voltou o olhar para o famoso motel que ficava à esquerda da rodovia. Corola e muito sistemática pensava:
“Lugar de gente devassa, sem pudor. Gente que tem coragem de gastar dinheiro num lugar desse, não deve ser cristão.” Firmou as vistas sob os óculos de lentes grossas.Olhou de novo para conferir o pensava estar vendo.
-Não pode ser! Mas é o safado do meu genro.
Gritou:
-Motorista pare esse ônibus agora!
O homem fez que não ouviu e seguiu.
-Pare essa geringonça homem!
-Posso não dona. O próximo ponto fica a três quadras daqui.
A mulher saiu xingando, mas fazer o quê? Ela não precisava certificar-se. Aquela Brasília cor de burro fugido,com a porta amassada e  com aquele adesivo enorme do Flamengo, só podia ser do “inútil”do genro.
Tomou decisão rápida. Não ia nem em casa, era direto pra casa da filha contar o que vira. Depois explicaria ao marido, que deveria estar esperando por ela para jantar.
        Desceu no centro da cidade, tomou outro coletivo e foi pra casa de Gracinha, sua filha “tão boa, bonita, inteligente. Merecia coisa melhor, assim como o pai, homem  bom, trabalhador, religioso e prestativo.Gervásio! Meu marido, pai dos meus cinco filhos. A filha coitadinha, não tinha tido a mesma sorte”, ia matutando a mulher, que já tinha decidido que ela mesma ia dar uns tapas no safado.
Chegou na casa de Gracinha, que estava feliz assistindo a novela das oito. Mal cumprimento a filha e foi logo falando em tom de superioridade:
- Eu sempre fui contra seu casamento, sempre disse que o Carlos era um inútil, sem futuro...
Gracinha interrompeu.
- Já sei mãe. A senhora ficou chateada com o Carlos porque ele não pôde buscá-la na casa da titia, não foi? Mas mãe não dava mesmo! Ele tinha uma reunião e...
Dona Eva interrompeu:
Reunião. Que safado! Reunião coisa nenhuma filha. Esse inútil está te enganando. Ninguém me contou, eu vi com esses olhos que terra há de comer!
Mas viu o quê? Viu o Carlos em algum bar ou coisa parecida?
-Muito pior! Eu sinto muito Gracinha, mas eu avisei que ele não prestava.Eu vi o seu marido entrando num motel!
Gracinha ficou sem cor, um pouco confusa e perguntou:
- A senhora tem certeza do que está falando? Isso é muito grave. Eu amo meu marido, mas se ele me aprontar uma dessa, eu largo mesmo!
- Já devia ter largado o traste. E tenho certeza sim. Eu estava passando em frente aquele motel grande, lá na entrada da cidade
( aquilo deve custar uma fortuna), quando eu VI o carro do safado entrando naquele templo de perdição.
- Peraí mãe a senhora viu o quê? O carro do Carlos entrando no Motel?
- Foi isso mesmo que vi. E você sabe muito bem que não tem como confundir aquela suruana que ele chama de carro.
- Mas mãe, o Carlos não pôde ir buscar a senhora, porque ele emprestou o carro pro papai!
 


 
F Cerqueira
Enviado por F Cerqueira em 31/08/2006
Reeditado em 27/01/2011
Código do texto: T229572
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Sobre a autora
F Cerqueira
Goiânia - Goiás - Brasil, 44 anos
11 textos (16102 leituras)
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F Cerqueira