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" Lairzinha já sabe ler "

Evaldo da Veiga



    Já faziam duas semanas de aula e a professora, Dona Maria Yvone, separou-me da minha, para uma turminha mais adiantada, que já sabia ler e escrever. Levei um bilhetinho da professora para o meu pai, e no caminho li com facilidade, nas letras bem arrumadas e lindas: “Parabéns, seu filho é bem educado e inteligente, já sabe ler e escrever, parabéns”.    
    Estava escrito dois parabéns no bilhete e aquilo me fascinou. Meu pai ia ficar bem alegre, mas pensei logo na alegria da Lairzinha e senti que aquele bilhete também servia pra ela mostrar à sua mãe, Lairzinha também já sabia ler. Tudo que eu aprendia na escola, Lairzinha aprendia no mesmo dia, estudávamos diariamente e logo que sentávamos à mesa, ela dizia com sua voz meiga e com o som mais belo do mundo:
- você é meu Professor todos os dias, graças a Deus, que bom.

    Disparei do colégio pra casa, ao final da aula, e Lairzinha me esperava no portão de banho tomado e com cheirinho de sabonete “Palmolive, o sabonete de nove entre dez estrelas do cinema”, como dizia a propaganda do rádio.
    Parece que Lairzinha já havia reparado o bilhete que eu trazia na mão, à distância, e perguntou: “isso é um bilhete, posso ler?”. Era comum eu estar sempre com um bilhete, levando de uma vizinha para outra, ou para fazer pequenas compras no comércio lá do Largo da Batalha, “o comércio lá de fora”, como se dizia na comunidade. Lairzinha logo que pegou o bilhete notou a diferença:
- oi, que letra linda!. Foi soletrando e um sorriso de encanto foi-se fazendo presente em sua carinha de vida e alegria:
- você é mesmo o menino mais importante do mundo, vamos mostrar à mamãe para ela te chamar de meu rico filho.
Disparamos pra casa dela e Lairzinha antes de entregar o bilhete falou:
-eu já li todinho, leia a Senhora também!
. Dona Rosa era a pessoa que eu mais gostava depois da Lairzinha e do meu pai. Ela leu e sorriu bem alegre; se abaixou, abraçou-nos, eu e Lairzinha ao mesmo tempo, e disse:
- que orgulho de vocês meus lindos filhos, hoje é um dia muito feliz!.

    Depois, estávamos a sós, eu e Lairzinha e ela falou:
- Mamãe hoje não te chamou de meu rico filho, mas não precisa, te chamou de meu lindo filho. Cada dia uma coisa!

 
evaldodaveiga@yahoo.com.br
 




Evaldo da Veiga
Enviado por Evaldo da Veiga em 01/09/2006
Reeditado em 04/03/2012
Código do texto: T229996

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Sobre o autor
Evaldo da Veiga
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 73 anos
952 textos (313611 leituras)
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Evaldo da Veiga