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Pegadas de elefante

          Saímos sábado à noite, eu e meus amigos. O motivo: o de sempre. Beber, falar bobagem e azarar. Entre uma skol e outra, entre as porções de isca de frango, começamos a debater o porquê que a mulherada usa aquelas botas enormes por fora da calça.
    - É frio? Perguntei.
    - Não Gil, elas usam pra ficarem bonitas. Respondeu a Dani.
    - Cada gosto, Deus me livre. Retrucou Tiririca.
    - Deixem elas em paz poxa, cada um usa o que ela quiser usar. Opinou Baiano.
Em meio à discussão, eu queria mesmo era saber de onde surgiu a mania da bota. Como clássico estudante de medicina, pensava que se achasse a base do problema, poderia entender os sintomas. Como um estalo, me veio à cabeça aquelas mulheres, acho que da áfrica, que usam aquelas argolas que esticam o pescoço e, desse modo, ficam mais “bonitas”. É assim então? Tudo começa do nada e no final fica lindo?     É sensual ver uma japonesa de kimono, é atraente uma africana de pescoço longo “argolado”, é maravilhoso uma brasileira de botona por fora da calça...
 As pessoas podem pensar que eu tenho alguma “birra” em especial pelas botas gigantes, mas não tenho. Adoro a sutileza do destaque causado pelos brincos ou pelos braceletes e até aquela corrente que as moças passavam pela cintura, delineando o quadril (onde foram parar as correntes?), a maquiagem que sombreia os olhos e dá o charme do olhar sensual, o vestido curto que destaca o bumbum e mostra a beleza das pernas e, por fim, o principal na lista de acessórios: o incrível salto alto. Esse coloca a sensualidade no seu máximo e impõe feminilidade até mesmo nas mais desajeitadas fêmeas.
Acho que a bota gigante foi posta na lista como uma invasora. Uma espiã destinada a destruir a beleza da mulher brasileira, que hipnotizada pela cadência da moda, usa-a inconscientemente, sem perceber a feiúra que a mesma possui. Dentre essas criminosas, a predominante é aquela de cor bege. Mas tem também a preta, que imita a guerreira Lara Croft dos jogos de computador. Porém, Lara precisa enfrentar monstros e malfeitores durante sua jornada contra o mal e nossas mulheres, se muito, precisam dar alguns passos do carro. Tem a branca, que deixa a pobre moça parecendo uma açougueira, ou uma funcionária de frigorífico. São vários tipos. Imagino um cara que saia com sua gata, ela vestindo a terrível bota gigante, depois de uma noite romântica, o sujeito chega em casa aos beijos calientes e amassos, dae tem que parar toda a emoção do momento pra tirar a infeliz?        Isso é pior que pôr a camisinha!
Confio no bom senso de nossas mulheres. Que a pureza feminina seja mantida sempre, mas elas percebam que o exagero é um pecado, não pior do que a gula, não melhor do que a inveja. Espero que, assim como as argolas de pescoço, não hajam ilusões, e a sensualidade seja preservada e mantida, pois não somente para o cortejo masculino, mas também para o orgulho próprio feminino. No final da história tudo acaba bem. As botas monstruosas serão esquecidas e nascerá outro, mais bonito, acessório feminino que preencherá o vazio deixado por elas.        Mas para as mulheres, não joguem fora suas botas, ninguém sabe o dia em seja preciso precaver-se, de uma picada de cobra por exemplo.
Gilmar Takano
Enviado por Gilmar Takano em 03/09/2006
Reeditado em 27/06/2007
Código do texto: T231758
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Sobre o autor
Gilmar Takano
Londrina - Paraná - Brasil, 40 anos
19 textos (2514 leituras)
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Gilmar Takano