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Vinícius, o pé de mamão, os manos e eu

Antes do começo (estranho, mas vale), estava Vinicius vulgar “bigóda” e eu jogando um pedaço de um pé no rio, mas não era pé de gente, nem de animal, era um pé de mamão, esperando a morte, jogado na terra, depois deste drama todo, decidimos acabar com seu sofrimento e o jogamos no rio. Tentativa frustrada, o pé de mamão resistiu e boiou até onde pudemos vê-lo, depois sumiu na escuridão da noite. Então sem dar importância ao sofrimento mamonês, nós demos a partida nos nossos pés para ir embora, no caminho de casa, faltando por volta de sem (sem com c) metros, nós fomos abordados por quatro manos (funkeiros) que aparentemente queria nos agradar, dando socos e ponta pés, ponta peito de pé, ponta de faca e coisas assim, talvez fosse ponta de ódio, que seria sem motivos, ou acho que estavam com nojo da nossa cara, desconfio que pela feiúra, mas eles já deviam ter se acostumado com a própria. Mas comecemos o diálogo dos seis caras.
Manos:
_ Aí cara, quê que você tem de bão aí?

Eu:
 _ Nada e você?

Manos:
_ Você sabe nadar véi?
(Estávamos na beira rio, os seis andando no passeio, bem pertinho do rio, como diria o Kiko: O quê que ele quis dizer com isto?)

Eu:
_ Sei nadar um pouquinho, mais ou menos para falar a verdade.
Vinícius estava calado.

Eu de novo, mudando de assunto:
_ Quê que vocês estão arrumando aí? Nada né, aqui na cidade num tem porra nenhuma né, vocês vão beber uma cervejinha?

Manos:
_ É aqui em Nova Era não tem nada mesmo, agente num vai beber cerveja não, agente quer é sangue humano.

Eu:
_ Uéééer, sangue humano né.

Manos:
_ ÉÉÉ, no copo, sangue humano.

Eu:
_ Cara se você quer sangue humano, o jeito é lamber perereca de mulher menstruada uai.

Manos:
_ Aí cara, agora você está me tirando, to falando de sangue porrada, “qualé”?

Um dos manos no momento preparou para nos atacar, então atravessamos a rua como quem não quer nada, assim evitando o linchamento.

Eu:
_ Que isso cara to te tirando não, falo...

Vinícius abre a boca:
_ Falo! rirri, caras doido eim véi!

Os manos seguiram o caminho e agente sentou no passeio da minha casa, ainda com o cu ainda trancado, começamos a zoar da situação e depois cada um foi pra sua casa dormir. Enquanto isso, já distante dali, o pé de mamão segurava as pontas no rio.
Enzo Pinho
Enviado por Enzo Pinho em 05/09/2006
Código do texto: T233047
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Sobre o autor
Enzo Pinho
Nova Era - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
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Enzo Pinho