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PRECONCEITO
 
     Uma palavra simples e direta, mas de uma ação bastante ativa na sociedade, não obstante o volume e a disponibilização de informações ser cada vez maior.

     Todos nós, de alguma forma, possuímos algum nível de pré conceito, principalmente porque nos é impossível ter conhecimento completo sobre todas as coisas. Então, o que poderia diferenciar uns “pré conceitos” dos demais “preconceitos”? É simplesmente o como deixamos que nossos preconceitos afetem nossas decisões, nossas ações e principalmente nossa forma de enxergar o mundo, e de nos movermos por ele.


     Infelizmente nossa criação em geral, bem como, nossa educação, seja ela formal ou informal, não nos prepara para pensar, para refletir, e para nos questionar. Assim, não temos o costume de confirmar as fontes. Deveríamos todos ter a natural vontade de buscar os conhecimentos de fontes variadas, gostemos ou não do que descubramos. Desta forma, poderíamos então construir nossa sustentação consciente, sobre cada um dos itens, conceituais ou não, que necessitamos para dar crédito as nossas decisões e aos nossos comportamentos.


O Dicionário AURÉLIO comenta sobre Preconceito, o seguinte:

[De pre- + conceito.] 
Substantivo masculino. 
1.Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 
2.Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo.
3.P. ext. Superstição, crendice; prejuízo
4.P. ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.:
 
     É lógico que podemos ter conceitos pré-formados, e de direito os temos. Tê-los, baseados em estudos detalhados e variados é um forte sentido de quem busca a verdade. Podemos também tê-los através de um profundo raciocinar, com a mente livre, sobre o maior número de inter-relações possíveis com cada fato, buscando assim o máximo de clareza, e de racionalidade, na construção de nossa interpretação de cada conceito, fato ou princípio. Ambos os casos são consistentes, mas a soma deles passa uma força multiplicadora aos nossos conceitos, minimizando-se as falsas deduções. Deve-se sempre evitar em qualquer análise de conceito, o uso das induções. As induções jamais podem ser fonte de verdade, elas não nos afirmam absolutamente nada de real ou verdadeiro. Temos por obrigação, buscar sempre inferências verdadeiras, que nos guiem e nos suportem em nossas conclusões. Mas em geral, não é este o sentido do preconceito.

     Em seu item 1 o Aurélio informa: “Conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida.”.

     :: “Conceito ou opinião formados antecipadamente, ....”. Esta parte da definição do Aurélio é bastante óbvia, da própria formação da palavra. PRE + conceito. Conceitos que temos a priori.

     :: :
“..., sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ....”; é aqui que reside a fraqueza desta definição. Possuímos conceitos formados, sobre assuntos, aos quais não temos conhecimento de direito, ou acerca dos quais simplesmente nunca investigamos verdadeiramente nossas ponderações, ou nossa análise livre. Muitas vezes sequer aprofundamos nossos estudos. Apenas ouvimos falar. Fazemos meras induções, e acreditamos que já conhecemos. Muitos itens nos parecem ferir preceitos morais, éticos, religiosos ou familiares, e desta forma não é do nosso interesse aprofundar nosso conhecimento. Outras vezes eles ferem alguns dos nossos interesses. Evitamos, inconscientemente muitas vezes, aprofundar nosso conhecimento, simplesmente porque acreditamos que não se coadunem com as revelações passadas por livros religiosos. Muitas são as vezes, em que por simples preguiça de pensar, ou presunção de já sabermos o suficiente, não buscamos valorar verdadeiramente nossos conceitos. Construímos, desta maneira conceitos, e o pior, nos utilizamos deles no dia a dia, como se verdadeiros eles o fossem.

     Moldarmos nossas vidas, nossas decisões, nosso entendimento parcial do mundo em que vivemos, sobre preconceitos. Este comportamento é de uma fraqueza mental, de uma baixeza intelectual e de um repugnante comportamento humano, que me envergonha de pertencer a esta raça. Discriminamos pessoas e fatos, simplesmente porque acreditamos, sem conhecimento de causa, que aquilo seja errado. Errado porque? Errado como?


     Com certeza tenho pré conceitos. Sim devo tê-los, em diversos assuntos. A diferença é que os tenho apenas intelectualmente, e deles não faço uso direto. Eles existem tão-somente para me dar suporte filosófico de cunho totalmente íntimo. Se necessário for agir sobre eles, tomar decisões, discutir com amigos ou qualquer outra situação em que eles possam interferir, direta ou indiretamente sobre o resultado final do “problema”, devo antes de faze-lo, estudar, meditar, filosofar comigo mesmo, e se possível filosofar com terceiros. Filosofando com terceiros, de forma aberta e transparente, construirei uma abordagem muito mais completa. Ao final terei estruturado minha compreensão, nunca final destes fatos. A realidade não é estática. O mundo é todo relativo, assim, os conceitos devem também, ter sempre uma porta aberta a serem revistos, toda vez que novos eventos lançarem nova luz sobre eles.


     Mantendo minha mente aberta a novas possibilidades, e baseado nelas rever constantemente meus conceitos, encontrarei não somente para mim, ou para aqueles que me cercam mais de perto, mas também para os outros semelhantes, uma felicidade digna de SERMOS HUMANOS.


     :: O final do item 1: “... ; ideia preconcebida.”. Também é bastante óbvio e complementa a primeira parte do próprio texto.

 
 
     Em seu item de número 2, o mesmo Aurélio comenta: “Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; prejuízo.”
     ::” Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que os conteste; ....”. Este item é por si só bastante interessante e complementa de forma sábia o item 1. Não podem existir verdades ou conceitos, cientificamente aceito, sem que possuamos meios ou estratégias de tentar refuta-los. É exatamente quando refutamos nossas convicções, nossos conceitos, nossas ideias, que aprendemos e crescemos, e assim abandonamos nossas falsas verdades.

     Ter um ou vários conceitos, e admiti-los como verdadeiros, sem buscarmos entender contestações já definidas, ou mesmo buscar, por exercícios mentais, encontrar algumas possíveis refutações, é fraqueza de caráter ou preguiça mental.


     Uma vez de posse de possíveis refutações, devemos de forma transparente para nosso ser, de forma clara e consistente, analisar cada um deles, e lastrear profundamente nossas análises em fatos reais, para construir nossa concepção pessoal de cada fato.


     Eu recomendo sempre que nestas horas busquemos ir o mais fundo possível, e buscar situações de extremo mesmo, aquelas que podem parecer até irreais ou que pareçam muito raras, pois acredito que seja nos extremos dos fatos e eventos complexos, que podemos realmente validar e medir nossos conceitos.


     Gostaria de deixar claro que as contestações, ou os possíveis pontos de refutação, não significam por si só que o conceito esteja errado, podemos consciente, inteligente e racionalmente contestar as contestações, e provar para nós mesmos que o conceito inicial era verdadeiro, ou alguma variante deste.


     Desta forma estaremos agora mais ou menos preparados para construirmos nosso cenário e iniciarmos nossos estudos e análises, sejam estas físicas, científicas ou mentais. Ao terminarmos, sempre poderemos estar errados, mas não por simples preconceitos, presunção, ou preguiça mental, mas tão-somente por alguma incompetência pessoal, ou ignorância de algum outro fato que não incluímos em nosso cenário.


     Por isso havia comentado, a pouco, que filosofar com terceiros nos ajuda, pois estes podem agregar novas informações, novos pontos de vistas que nos complementarão, em nossa análise final.


::” ... ; prejuízo
.”. Pré+juízo, decorre da similaridade do uso de juízo, como conceito.
 
     Os itens 3 e 4 são para mim mais efeitos, do que definições, e apenas corroboram minha percepção de como injusto pode ser o uso do preconceito para nossas vidas.
“3.P. ext. Superstição, crendice; prejuízo.
 
4.P. ext.
Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças,”
 
     Assim amigos, nos utilizarmos de algum racionalismo, de alguma filosofia analítica, de inferências e conhecimentos verdadeiros, jamais nos fará mal. Somente temos a ganhar, e mesmo sabendo que somos imperfeitos, que infelizmente continuaremos sem o conhecimento absoluto sobre os fatos, devemos buscar construir nossos conceitos sobre conhecimentos verdadeiros. Encontrar meios que nos possibilitem refutar nossos conceitos é a forma de melhor nos ajudar e assim ajudar nosso mundo, pois estaremos, refutação a refutação, chegando cada vez mais perto de alguma verdade.

     Não tenhamos medo nem vergonha de pensar, e se nosso racionalismo refutar alguns dos nossos conceitos dogmáticos, será duro aboli-los, mas seremos mais livres sempre que o consigamos. Devemos ter em mente que a nossa vida só se justifica pela dignidade humana e pela felicidade social, respaldados na ética, nos nossos verdadeiros valores e no amor.

     Pensemos nisso.

Arlindo Tavares
Enviado por Arlindo Tavares em 20/06/2010
Código do texto: T2331784
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Sobre o autor
Arlindo Tavares
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 54 anos
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