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Carta aberta ao Maepú grande amigo, poeta e boêmio

Pois é Maipos. Hoje quase que inesperadamente me embriaguei. Não como você. Não fui a outro mundo fui a outros mundos. Caminhei. Acredite. Descobri – em pleno 05 de setembro – a lua. Ela estava cheia, bem escondida; Não era crescente, nova, nem minguante, escute: Estava bela, inspiradora, igual aquela da minha última poesia.

Também não fiquei trocando conversa fiada com os bons e ignorantes amigos do bar. Conversei com ele.É rapaz, o mulato,o machadinho aproveitei e disse-lhe que já descobri depois de muito especular o segredo da Capitu daqueles olhinhos oblíquos e dissimulados. A resposta dele depois te conto. Estive também com o Drummond, pervaguei, visitei mortos amarelados pelo tempo fui até Itabira e para finalizar tomamos uma lapada, eu ele o santeiro e o pobre José que deu mais ênfase ao copo talvez por que continue na pior. O Velho estava demais! Erudito demais para o meu gosto porém, comovido como o diabo; E comovido deixei-o. Revi o George Orwell aquele que mostrou que somos porcos e que o camarada marx não conseguiria mesmo a tal comuna, estava ainda bem longe do sonho. Lembrei o Liceu onde concluí meus estudos secundários e essas lembrança levou-me ao Ateneu do Raul. É, meu caro,o Raul Ponpéia aquele que se matou por amor e política, pela literatura e pela Biblioteca Nacional que esta sediada bem no centro da tua terrinha. Quanto ao Dante que tanto Amas Vi-o de Soslaio não estava disposto a enfrentar nem o céu, - pecador que sou - nem o inferno. O purgatório, bem...  Este acho que já conheço há não menos que trinta e dois anos. Não havia portanto necessidade de afunilar-me tampouco de subir as delícias do paraíso. Achei chato o papo inteligente, inteligente sabes, o (171) do J.J. Benitez, ele é terrívelmente semelhante aquele brasileirinho não lembro o nome do besta. Espera aí; lembrei! aquele que fazia letra para as músicas de um outro abobado, é... é o tal Paulo Coelho aquele  estelionatário literário que como tantos serão santos algum dia, graças a ingenuidade do povo. Espera... Muito que bem, Sentei-me horas com o Jung ele é terrível quer descobrir minha alma, porém não consegue . Isto não é uma merda! Minha essência deve estar mais enterrada do que o cofre que guarda os dólares da abastada elite branquela  Norte Americana.
Queria dormir porém ao passar por uma taberna escutei do outro lado da rua uma voz jovem, quase infantil a desenrolar em alto tom suas paixões mal resolvidas. Não escapei, não dava para dormir diante daquela figura magra e eloqüente a segurar uma taça de vinho que bailava em suas mãos de poeta. Que o trabalho fosse para o inferno melhor viver como um cigano e ter por palácio as escadarias da igreja, apreciando a noite e dando fortes baforadas em um charuto vaporoso. Desconfiar do olhar insistente de uma donzela e ficar quase certo do seu amor, depois chorar a própria morte precoce e premeditada num poema no qual a frase “Se eu morresse amanhã” assemelha-se mais a um “Eu morrerei amanhã” pressentindo a glória e o porvir de felicidades e ao mesmo tempo, paradoxalmente, explicitando o sofrimento que o devora e  a toda a glória esperada, suprimindo por fim todo o infortúnio nos dois últimos versos: “A dor no peito emudecera ao menos, Se eu morresse amanhã”. Deixei-o a Declinar LEMBRANÇA DE MORRRER. Meus olhos estavam úmidos e meu coração angustiado agora então é que não dormeria mais. Saí, Cheguei as margens do Potengi, abracei meu avô que em noite de lua cheia  havia acabado de compor os versos chorados, da Serenata do Pescador que ficaram mais tristes estribados na belíssima música de Eduardo Medeiros. Dei-me por satisfeito.O dia clareava, beijei meu avô tomei nas mãos um volume de Machado de Assis e Dormi antes de ter lido as três primeiras folhas. Foi uma farra e tanto....
Ananda
Enviado por Ananda em 06/09/2006
Reeditado em 28/07/2008
Código do texto: T233891
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Sobre o autor
Ananda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 65 anos
18 textos (852 leituras)
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