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Vai um virtual?

Infelizmente o bichinho do pensamento me mordeu.


Li um poema agorinha que menciona a falta de gosto do relacionamento virtual. Mexeu comigo por duas razões, a primeira é que estou perdidamente apaixonada por um 'virtual' e a segunda é que concordo com ela (a poesia), embora faça restrições.

Vejamos, por trás da tela existem pessoas como eu e você. Alguns não são o que dizem, outros são o que dizem e mais um pouco, outros podem ser marginais, gente mal intencionada, gente carente, gente, enfim.
Como discernir quem é quem? É difícil. Temos que ir na tentativa de erro e acerto. Alguns são mais rápidos para perceber os enganos e engodos, outros jamais perceberão, ou talvez só venham a perceber quando sentirem 'na carne' o engano.
Mas isso também acontece na vida real. Casamentos são desmanchados por 'engano de pessoa', amizades são rompidas pelo mesmo motivo e demais. Todos sabemos disso. Cada qual carrega seu segredo, sua própria incógnita e seus erros e acertos. Podemos permitir, ou não, que os outros saibam de nós, isso na tela ou na vida.

Voltando ao amor virtual e ainda aumento com a amizade virtual, nada por aqui tem cheiro, cor, sabor. Não há toques, não há sexo real, não há abraço nem beijo. Mas há sentimentos. Quem se recusa a entender isso não deveria aproximar-se das pessoas. Pelo menos, não com o intuito de fazer amigos ou de se apaixonar, se for o caso. Ou, em última instância, procurar apenas as pessoas que morem em sua cidade, seu bairro, sua rua.

Há tempos que circulo por essa Internet e já vi de tudo. Vi golpistas, estelionatários, gente apaixonada (eu, inclusive), e amigos, amigos queridos e lindos, daqueles que talvez jamais venha a por os olhos, mas que amo. Amo imensamente e me fariam falta na vida, se não mais os tivesse. Amigos onde eu posso dizer: por favor, me dê o seu ombro hoje? Me ajude a pensar com exatidão? Me dê uma palavra? E ela vem. Vem através da letra. Letra que é abraço, mão, colo, coração. Vem com toda a carga emocional que o outro sente; vem com carinho, com vontade de ajudar, com o respaldo que qualquer amizade 'tocável' possa ter.

E, voltando ao amor, esse que sinto no momento, parece que desandou. Estou amando sozinha, talvez desde o início e por isso o que deveria ter acontecido não aconteceu. Isso chama-se preservação de estrutura emocional e optei por manter a minha. Mas isso não significa que lamento. Não lamento ter me apaixonado. Só não deu certo, apenas isso. Amei uma outra vez, virtualmente. E foi, sem sombra de dúvidas, o amor maior da minha vida. Claro que depois do virtual houve o real, como não poderia deixar de ser. Ficamos juntos por muito tempo e fomos inteiramente felizes.

Portanto, para encerrar, o virtual através de toda a parafernália existente, nos possibilita encontros maravilhosos. Coloca em nosso caminho seres que talvez não fôssemos encontrar na rua devido a questões geográficas, tempo e espaço e, embora possamos, muitas vezes, também encontrar gente desagradável, isso não escurece, não ensombreia, não tira a alegria de podermos ter esperança. De acharmos no outro, motivo para crer.

Sonhar é bom. Seja dormindo ou olhando para a tela.
Maria Quitéria
Enviado por Maria Quitéria em 10/09/2006
Código do texto: T236608

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Sobre a autora
Maria Quitéria
São Paulo - São Paulo - Brasil
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