A IMPRENSA BRASILEIRA E O CASO BRUNO

Nos últimos dias a imprensa brasileira no seu sagrado dever democrático, ocupou todos os espaços, com o que se convencionou chamar de: O Caso Bruno.

Jornais, rádios, emissoras de televisão, folhetins, jornais de bairros, revistas as mais variadas, noticiaram com letras garrafais e em negrito, manchetes a respeito do envolvimento do goleiro do Flamengo.

Um programa matutino da Globo, que apresenta algo a respeito de culinária, ocupou boa parte da sua programação a respeito deste assunto.

Os jornais televisionados idem.

Mas vamos fazer uma comparação desta situação, com um ditado popular: Visita é boa. Mas depois de três dias, passa feder. O mesmo podemos dizer a respeito deste assunto. Não é questão de exalar mau cheiro. Mas já encheu as paciências de nós pobres brasileiros.

Estão dando uma importância sem fim a este assunto.

Parece-nos que no Brasil não se tem mais nada a noticiar.

O centro dos noticiários é o goleiro.

Detalham cenas, dramatizam ações, especulam sobre casos assemelhados ocorridos, estipulam há quantos anos será condenado. Especificam acontecimentos tidos e havidos em tempos passados.

Induzem a opinião pública a respeito do assunto.

Mas pergunto. Não tem algo mais útil a ser noticiado? Não seria interessante noticiar que no Brasil a Tuberculose alcança a cifra de 72.000 casos anualmente? Que existem inúmeros hospitais sem condições de funcionar, por falta de material cirúrgico, por falta de médicos, por falta de medicamentos, por falta de UTI’s, por desvio de verbas por políticos e empreiteiras, que morrem parturientes na mesma proporção em relação às mulheres africanas que morrem de fome?

Será que a imprensa brasileira aderiu ao jornalismo sensacionalista?

Que chega a beirar ao ridículo.

Jornais sérios passam de uma hora para outra, a ficar à mercê do encarregado da pauta, em noticiar repetidamente este tipo de acontecimento.

A imprensa brasileira tem o sagrado dever de noticiar e de informar. Deve exercer este direito democrático. Denunciar. Investigar.

Mas na mesma proporção a imprensa brasileira tem o sagrado dever de se auto-analisar e fazer um exame de introspecção a respeito deste e de outros assuntos noticiados de tal forma que beirou ao ridículo.

Delegados que antes compareciam às suas delegacias, com os colarinhos de suas camisas sebosos, com barba mal escanhoada, com aparência de mafiosos, ao serem guindados para encarregados de um caso deste tipo, passam a usar ternos, gravatas, as unhas são aparadas. Mas qual a razão de tal tipo de atitude? Aparecer na telinha, nos jornais de grande circulação e que sabe se candidatar a vereador nas próximas eleições? Efeitos colaterais da imprensa brasileira. Ou efeitos deletérios?

Infelizmente este tipo de jornalismo sanguinário, vende. Vende jornal, revista, espaço nas rádios AM e FM, nos noticiários da televisão.

Uma pergunta só.

O que agradaria mais a você: Noticiário repetitivo e maçante a respeito a este tipo de assunto, igual ao do caso do goleiro Bruno? Ou noticiário a respeito sério sobre os avanços econômicos e sociais, sobre saúde da gestante, meio ambiente, bem estar familiar, educação, alimentação, boas maneiras?

Finalizando.

Você já viu algum órgão de imprensa brasileira, noticiar de maneiras repetidas, por vezes e vezes a respeito da falta de sangue nos hemocentros? Da falta de doadores de órgãos? Do descaso dos hospitais, para com quem não tem plano de saúde? Das mortes por abortos clandestinos? Da falta de medicamentos nos Postos de Saúde?

Entendo que já é chegada a hora da imprensa brasileira, no exercício do seu sagrado dever de informar, no exercício pleno da democracia e informar e esclarecer. Mas também entendo que é chegado o momento de fazer uma auto-análise a respeito de assuntos não tão importantes como este do caso Bruno. Uma vez que existem centenas e centenas de casos iguais a este nestes “brasis” afora.

ROMÃO MIRANDA VIDAL
Enviado por ROMÃO MIRANDA VIDAL em 11/07/2010
Código do texto: T2372113