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A Caixa Mágica

Suspeito secretamente que minha capacidade em administrar meu tempo esteja na geladeira; aquele tempo em que podia me desdobrar em mil de forma ágil,preciso e dinâmico; tempo que repousa serenamente em algum compartimento; Que eu ainda não consigui perceber. Talvez junto aos ovos; quem sabe, na parte dos legumes; ou ainda, no congelador.
Mas sei e acredito que encontra-lo seja somente uma questão de tempo...Afinal, tenho me empenhado arduamente nessa busca. Toda vez que penso em tempo, meu primeiro impulso é a geladeira; E, se eu fosse mais platônica, o procuraria no mundo das horas, ou quem sabe no tempo livre; quando este sobra, é claro!!!Mas o meu tempo anda pelo concreto; ou será que anda nos doces,nas frutas e nos frios?
Algumas pessoas denominaram a televisão como a "caixa mágica" do século XX; não sei,acho que este título deveria ir para a geladeira;E eu não estou falando dessas máquinas modernosas que servem gelo e água sem que seja preciso abrir a porta; muito menos daquelas que podem ser conectadas à Internet, ou aquelas que avisam a falta do leite, da carne ou do molho tártaro; Falo da boa e velha geladeira que alivia discussões familiares, conforta gente triste e solitária, guarda aquele pedacinho de bolo da festa de agora e de ontem, ou pizza de anteontem. E vejam só, produz tempo! Falo geladeira nossa de cada dia, cheia, vazia; da geladeira do solteiro, ocupada basicamente por caixas, vidros e embalagens plásticas; da geladeira aberta a toda hora; das que são visitadas apenas de manhã e de noite; da que é assaltada de madrugada;
da geladeira que agüenta de tudo no congelador até que o dinheiro dê para um freezer; da geladeira que só tem garrafa d’água; da geladeira que tem tudo, menos água.
Geladeira não precisa nem ter o designer estilo clean.
Que venham as vermelhas, as beges e as azuis! Pode ter pingüim em cima, ou não.
Copo com água e um olho de boi, porcelana com versículo da Bíblia, alguns remédios que devem estar sempre à mão, meia dúzia de bijuterias tiradas a caminho do banho; afinal você é o que você põe em cima da geladeira; E, na frente também, tamanha a variedade de ímãs decorativos que existem por aí. A estética da geladeira é incomensuravelmente livre.
Geladeira que se preze tem mais que alimentos ou bebidas. Tem superbonder, água boricada, soro e, no calor, pasta d’água. Já ouvi gente dizer que seca o esmalte das unhas no congelador.
Sei que não devo, mas na urgência apelo à parte de trás da querida máquina para secar meus tênis e sapatos;
E se querem saber, li num desses livros de quebra-galho que as meias-calças, se congeladas, duram mais.
É por essas e outras que continuo suspeitando encontrar meu tempo perdido por aí... Tomara, no meio dos doces...
Tânia Aranha
Enviado por Tânia Aranha em 12/06/2005
Reeditado em 06/09/2005
Código do texto: T24189
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Sobre a autora
Tânia Aranha
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Tânia Aranha