Eternidade

Hoje sonhei com você. Mas não foi mais um dos meus sonhos, você me observava como nunca antes. Tocava-me de um jeito que só você sabe e eu sei. Queria que não fosse um sonho e que realmente eu estivesse nessa paralaxe de desejos. Pudera eu viver essa realidade, mas o tempo sempre pede para adiantar os sonhos. Ele sempre constrói as escadas pra depois a gente subir. E quando eu chego finalmente ao último degrau, vejo que as escadas são infinitas se olhar para o alto. É como sentir um cheiro e ir correndo atrás dele, aroma fugidio e atraente é a vida pela qual temos que passar. É como regar uma planta cuja morte é sabida. É fácil falar de amor quando as cãs ainda são distantes e o vigor é marcante como aroma de jasmim. Mas é difícil acreditar que o carrossel da vida sempre espera o impetuoso vento, que é certo e não admite falha.

A esperança no amor é a única que ainda consegue nos levar até o fim. Passam-se as dores, as desilusões e o muro falso das ilusões. Ficam a loucura e o sobrenatural prazeroso e árduo do poder de amar alguém. Amar com inteireza de alma, com renúncia, com entrega. Foi com isso que eu sonhei. Com você subindo as escadas e suas mãos nas minhas levando-me ao seu encontro: para viver, para cultivar a planta até seu último suspiro. Porque a esperança no amor não acaba, ela só se transforma em saudade quando a gente se despede da vida.

Samene Batista
Enviado por Samene Batista em 25/09/2006
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