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Morrendo...


(Estrada Humana – Otávio Costa)
               29/09/2006

     Morrendo serei aplaudido, estarei nas bocas, serei alguém importante, Vicent Van Gogh viveu exaustivamente confuso, em busca do sol da sua vida. A crueldade humana tem absorvido o cotidiano do homem puro, oprimindo os sentimentos de cada um que tenta mudar esta sociedade de hipocrisias enraizada em todo o globo. Talvez digam amanhã que foram apenas palavras bobas de um homem que teve oportunidade de escrever besteiras sem tamanho, mas como posso me calar neste mundo sem perspectivas, se existem pessoas que estão gerando vida com trabalho e dignidade e só quando morrem é que são valorizados, parece que a bolsa sofre alta, são tantos Getúlios, Henriques e Lulas que emperram o carro da história, como processar o povo por ter ele contribuído mal para a história catalogar um passado tão negro. Não quero ser mais um número para ser processado pelo computador e amanhã alguém dizer: - Como foi bom este homem! Tenho que gritar, chorar os Van Goghs que sensivelmente estiveram passeando pela história. Como ir além desta ótica social, sem mastigar pedras e engolir corrupção? Vou chorar pelo amanhã, pois nunca viveremos o que esperamos, e liberdade não é coisa que se queira hoje para o homem, ela é questionadora. A igualdade esta imprensada nos morros, a educação é mal estruturada, milhares de brasileiros não tem acesso, e os seus nomes já tem identificação nas Nações Unidas como escravos que salvarão a crise internacional. Morrer é fundamental para as estatísticas, tem gente morrendo, assim claro vai diminuir os problemas para a previdência social, de certo vão nascer outros Van Goghs para pintar soluções e serem reconhecidos e valorizados após sua morte. São cinco da manhã, acorde meu filho esta na hora da rotina, você vai para o colégio estudar para ser valorizado após a sua morte. Gritamos hoje e incentivamos aos senhores, procurarem educar seus filhos para serem coadjuvantes deste teatro brasileiro, domingo daremos início a mais um ato.
     Vamos fechar esta página da história, sim, vamos abrir uma página nova, vamos criar uma página nova, seria loucura de a minha parte dizer que a esperança rege meus pensamentos quando penso em um futuro promissor para esta loja de santos, precisamos mais do que cinqüenta anos para erradicar o analfabetismo da maioria do povo, consumidores de idiotices e supérfluos, que não conseguem enxergar o essencial, amiúde o que se vê no horário nobre são etiquetas que ditarão a próxima moda. De real e sensível o que posso é antecipadamente desejar que tenhamos um feliz natal e um próspero ano novo e no próximo ano possamos contar com o prestimoso senso de dever de todos os operários, trabalhadores, desempregados e desamparados deste imenso país, pois sabemos o quanto tem se preocupado o poder público em desenvolver, desbloquear, absorver fórmulas para que o povo brasileiro tenha nos próximos quatro anos uma vida nova, ergamos agora as mãos a Deus em oração e agradecimento pela vida, muito embora que dentes podres, sífilis, Aids, tuberculose, dengue, inanição façam parte de nosso dia-a-dia, mais ainda temos a vida, garfada é verdade, mas enfim, ainda não estamos no noticiário como vítimas ou acusados de revolucionários, pois assim se mancharia o nome da nossa família aristocrática e cristã.
Estrada Humana
Enviado por Estrada Humana em 29/09/2006
Código do texto: T252550

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Estrada Humana
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