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Quem sou Eu?

Às vezes, sinto como se eu não fosse eu mesmo. È como se uma outra pessoa estivesse dentro do meu corpo, controlando minhas ações, e eu não passasse de um mero espectador. È como seu fosse um ator observando meu próprio trabalho através da tv, sem chance de mudar uma fala sequer do personagem, que nem mesmo reconheço como sendo eu mesmo...

O que estou fazendo da minha vida, me preocupando com problemas que nem mesmo começaram a acontecer? O que estou fazendo, me sentindo culpado por entregar-me de coração e mentes abertas a algo que todos possam julgar como errado? E o que estou fazendo, sentindo-me culpado por não fazer as mesmas coisas que todos acreditam como sendo um erro? Se faço, sinto-me culpado, ma se não faço... sinto-me culpado da mesma forma.

O que eu faço com o tempo que me é dado para aproveitar? Dizem que o importante é saber o que fazer com o tempo que lhe é dado, mas não sei quanto tempo ainda tenho para usar. Sequer tenho noção se o tempo que uso é realmente o meu, ou se tenho usado e vivido o tempo de outra pessoa...

Onde está o romance na minha vida, que antes era farto e caprichoso? Poderia, antes, ter a mulher que desejasse na cama, porque oferecia exatamente o que elas queriam, um sexo animal, cachorro, desprovido de sentimento. O romance se baseava em dar as mulheres o homem que elas desejavam... não importava se era moralmente uma criança, uma mulher casada, uma moça de respeito, uma vadia qualquer. Todas queriam a mesma coisa, um homem que as tratasse como objeto de prazer na cama, que não ligasse para carinhos, apenas para o poder do tesão.

Olho para mim mesmo através do espelho moral da reflexão, e vejo apenas um cão sarnento que chora através de ruas escuras, mendigando o carinho que todos estão ocupados para dar.

Olho para mim mesmo, no meu imundo reflexo da consciência, e vejo um homem mendigando pela atenção que ninguém jamais dará.
Olho para mim e não vejo nada. Nem mesmo sei se estou ali.

Serei eu aquele pobre vacilante que anda cambaleando, embriagado de ilusões poéticas de falsa vida, iluminado por uma frágil lanterna de conhecimento barato, tentando me aquecer com um reles palito de moral inacabada, tentando dar mais um trago da droga barata da felicidade?

Serei eu, tão submisso e fraco, que já nem mesmo consigo olhar através deste espelho quebrado? Estarei apenas contemplando os cacos de um mundo quebrado que faz com que eu me sinta cada vez menor e ridículo?

O que eu penso que sei? O que alguém pode fazer para me ajudar?

Quem sou eu?
Eduardo Setzer Henrique
Enviado por Eduardo Setzer Henrique em 30/09/2006
Código do texto: T252855
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Sobre o autor
Eduardo Setzer Henrique
São João Del Rei - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
56 textos (3144 leituras)
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Eduardo Setzer Henrique