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                           A Década de Oitenta


          Nova era. Novas experiências foram vividas contri buindo para o meu crescimento, sobretudo espiritualmente.

          No início de oitenta e um nosso primeiro filho deixa nosso lar para estudar no colégio Diocesano do Crato,in do morar no pensionato do Sr. Elias, conterrâneo e parente nosso, o que nos deixou menos preocupados.

          No ano seguinte, ele foi para Fortaleza estudar no Colégio Farias Brito e, desta vez, para dividir um aparta mento com jovens da mesma idade. Era preciso confiá-lo a Deus e acreditar que o havíamos educado para a vida e que ele estava preparado para enfrentar um mundo mais amplo e vencer as dificuldades que o mesmo apresentasse.

         Em 1983 assumi a Secretaria de Educação e Cultura Municipal, na administração do prefeito Juarez Leite Sampaio.Como titular daquela pasta procurei conhecer o trabalho que vinha sendo realizado pelo meu antecessor, professor Manoel Bezerra Neto, para dar continuidade às ações e ou convênios assumidos com o estado, de modo que não preju dicasse ao município ou aos professores envolvidos em pro gramas até ali desenvolvidos como o Curso de Qualificação à Distância, em convênio com o PRORURAL (1° grau) e o LO GUS II que qualificava a primeira turma de professores lei gos, a nível de 2° grau.

        Acatando a sugestão da diretora da Escola Pe. Pedro, onde era lotada, pedi a disposição do trabalho do estado e fiquei prestando serviço apenas ao município. A organização e o funcionamento da biblioteca foi uma das nossas primeiras preocupações. Sob a responsabilidade do jovem Alexandre Arrais, numa sala do Círculo Operário, funcionou a mesma com um grande acervo.Os estudantes faziam suas pesquisas no local ou faziam empréstimos dos livros utilizando suas carteirinhas ou fichas onde eram anotados os nomes dos alunos, a data de retirada e da devolução e o título do livro, a fim de manter o controle.

         A maioria das escolas recebeu a “Ciranda de Livros”. Uma coleção riquíssima, com cartaz plástico transparente para exposição, o qual protegia os livros, ao mesmo tempo que os expunha.

         A banda de música, sob a responsabilidade do Maestro Zezinho, ensaiava com freqüência com a finalidade de estar sempre afinada para os momentos festivos da nossa terra.

         A formação espiritual era também uma preocupação da Secretária de Educação e Cultura. Incluído no currículo estava o Ensino Religioso e os professores eram orientados pelos supervisores nos planejamentos mensais.Realizávamos as pri meiras comunhões dos alunos nas próprias escolas quando nas localidades não havia capelas.As celebrações das missas pelo Revmo. Pe. Dermival quer nas escolas, quer nas capelas, contavam sempre com a presença não só dos alunos, professores e pais de alunos, mas de toda a comunidade local.

         No mês de junho participei do treinamento para co ordenadores e técnicos, ministrado em 80 horas pelo Centro de Recursos Humanos da SEDUC, a fim de realizar um bom tra balho à frente do Órgão Municipal de Educação (OME).

          Com muito amor e compromisso, procurei, junto aos que comigo faziam a Secretaria de Educação e Cultura, de senvolver um trabalho honesto, buscando o crescimento educacional e cultural de Brejo Santo.

          Em dezembro 1985, participei do encontro para dina mização do CERU (Centro de Recursos Humanos) num total de 32 horas, também ministrado pela SEDUC, através do Centro de Recursos Humanos, no CETREX, em Caucaia – CE.A instala ção do Centro de Educação Rural (CERU) visava minimizar os problemas de dispersão e de desagregação em que se encon travam as escolas e a população rural daquela região, por isso foi construído numa posição central, possibilitando a comunicação com as escolas filiais (escolas menores funcio nando em prédios próprios ou casa da professora e si tuadas numa área de possível comunicação com o CERU).
Tínhamos como objetivos:
- Descentralizar serviços administrativo e pedagógi co em apoio no OME.
- Estabelecer uma melhor articulação entre as dife entes esferas administrativas;
- Nuclear algumas atividades pedagógicas visando per mitir melhor uso dos recursos disponíveis na área;
- Apoiar a formação de consciência e possibilitar ofertas educacionais em todas as suas modalidades.
O papel do CERU seria o de favorecer um processo auto-gestionado de melhoria dos níveis de vida da comunidade, entendi-da como.
- Aumento de renda familiar;
- Valorização da identidade cultural do mundo rural;
- Ampliação do universo cultural.
O CERU se propunha a ser uma instituição atuando como núcleo educativo a nível de distrito e devendo oferecer serviços de apoio diferenciados:
- Aos problemas sócio-econômicos dos trabalhadores rurais e suas famílias:
- Às escolas filiadas que existiam na área de sua abrangência.
Em termos de serviços, oferecia novas alternativas de educação formal e não-formal. Nesse sentido o CERU, juntamente com as escolas filiais, deveria oferecer graus e modalidades de ensino não existentes na zona rural visan do não duplicar esforços mas a congregá-los.
Partindo das necessidades diagnosticadas o CERU poderia oferecer as seguintes possibilidades:
1 – Séries iniciais do 1° grau
2 – Séries terminais do 1° grau
3 – Ensino Supletivo
4 – Atividades específicas de educação pré-escolar
5 – Educação para alunos que apresentassem defasagem idade/série e problemas especiais de aprendizagem (classes especiais).
Os recursos humanos deveriam ser da própria comunidade como jovens, alunos, professores, pais de alunos com participação espontânea. Contudo deveria contar com um coordenador e um técnico que ficariam mais diretamente responsáveis por sua dinamização. Inclusive um membro da comunidade, a professora Beatriz Pinheiro, já havia participado do treinamento no CETREX, em Caucaia.

          Voltando de Fortaleza, pensei logo em rascunhar uma divisão zonal, a fim de que pudéssemos lutar junto a SEDUC para conseguirmos outros CERUs para as zonas do Po ço e da Serra, inicialmente, e quem sabe mais tarde para as outras.Não houve tempo para realizar o sonho ou o obje tivo pois fui demitida da pasta, por motivos políticos, ainda no primeiro semestre de 1986.
No novo ano, 1986, aos três dias do mês de fevereiro, Brejo Santo perde do seu convívio, vovó Pedrozinha Via na Arrais, a mais sábia mulher da nossa terra, a educadora de várias gerações.

          Reassumi minhas atividades na Escola Pe. Pedro, de onde havia me afastado à disposição da prefeitura municipal, para reaver os meus direitos perdidos junto ao estado (pó de giz, quinqüênio, gratificação de tempo de serviço e de direção) e recuperar os prejuízos financeiros dos quais fui e até hoje sou vítima (não percebo gratificação de di reção por ter sido demitida do cargo, apesar de ter trabalhado o tempo exigido por Lei).

          Dali fui removida, a pedido, para Escola Pedro Basílio, onde havia um corpo docente e administrativo composto por servidores estaduais, graças ao convênio de contra partida celebrado entre a Escola e o Estado, quando eu estava à fretne da Educação do município. Ali permaneci pouco tempo para evitar maiores problemas com o sr prefeito municipal, insatisfeito com minha presença numa escola munici pal. Pedi remoção para a Associação Comunitária de Brejo Santo (ACOBRESA), que havia sido também conveniada com o Estado.Durante a minha permanência na ACOBRESA, como servidora estadual, cedida a uma filantrópica, procurei desem penhar com assiduidade, pontualidade e compromisso a minha função seja como professora ou diretora.A instituição man tinha, além das atividades educacionais de ensino regular ligada à SEDUC, núcleo da FEBEM oferecendo reforço esco lar, cursos de bordado, pintura, marcenaria e serigrafia; creche para crianças de 02 a 06 anos, na sede e na zona rural; atendimento médico-odontológico para as crianças e adolescentes da entidade e pessoas da comunidade brejo-santense das zonas urbana e rural; clube de mães com confecção e doação de enxovais para as gestantes, inclusive orientação por enfermeira formada, psicóloga e pedagoga; ori etação religiosa junto à população do bairro com grupos bíblicos, celebrações da palavra, comemorações nos tempos fortes de evangelização, como Natal, páscoa, mês de maio, festas do padroeiro Sagrado Coração de Jesus e SãoFrancisco. Através do serviço social da ACOBRESA, em parceria com a Igreja (Maria Santana Leite e Irmã Rosário), foram construídas dezessete casas de blocos cerâmicos, com banheiro e vaso sanitário, no bairro Serrote, em sistema de mutirão, no ano de 1989. A Secretária de Ação Social, através do programa “Apoio à Moradia” destinou os recursos atendendo a solicitação da congregação das Religiosas do Santíssimo Sacramento, que realizaria as obras em parceria com a ACOBRESA.

          Ali permaneci até completar o tempo de serviço exigido para requisitar a aposentadoria.Encaminhei o processo à SEDUC, aguardei a Declaração autorizando o afastamento, no final de 1990, e, passei a prestar serviço àquela en tidade, apenas como voluntária, sem compromisso de horári o, sem assinatura de ponto, como já o fazia antes de lá ser lotada, e, até hoje o faço, dentro das minhas limitações.

         Nesta década, em Brejo Santo, houve um grande avanço na área de saúde com a instalação do Hospital e Materni dade Santa Luzia (1985).

          Na área educacional houve também crescimento quan titativo e qualitativo com o surgimento de novas escolas nas zonas rural e urbana, inclusive a criação do Educandário Aurélio Buarque de Holanda que muito tem contribuído com a educação da Nossa Terra.

         No que diz respeito à área espiritual, ganhamos muitíssimo com a chegada das Irmãs Sacramentinas que vieram adubar, irrigar e capinar as sementes plantadas por nossos pais, professores e párocos.O trabalho de evangelização teve início com os grupos bíblicos, em 1985, especialmente na sede, sob a orientação da Irmã Maria Alice.Surgiu, quase paralelamente, a Pastoral da Saúde. Esta com a coordenação da Irmã Rosário.A catequese renovada, como tudo que exige mudan ça, causou impacto em alguns pais, que, aos poucos foram entendendo e aceitando a nova metodologia.

Nossos jovens passaram a ser preparados, a partir dos 14 a nos de idade, em cursos anuais, com reuniões semanais, para o sacramento da crisma, despertando-os assim, para sua responsabilidade de cristãos adultos e o engajamento nas pastorais, especialmente a da juventude, já atuante na pa róquia sob os cuidados da Irmã Perpétua.Já em 1986, pesso as da nossa paróquia, tanto do sexo masculino como do femi nino, haviam participado do Cursilho de Cristandade, no Centro de Expansão da Diocese do Crato.Em junho de 1988, nossa cidade realiza o primeiro Encontro de Casais com Cristo (ECC) com a ajuda da paróquia madrinha, a de Nossa Senhora de Fátima, do Crato, onde em 1987, casais brejo-santenses haviam participado do ECC.Vale ressaltar que alguns casais participaram do ECC em Fortaleza.

A sede de Deus, despertada pela evangelização, leva alguns membros de pastorais a participarem das Mariápolis, realizadas em Caruaru, João Pessoa, Fortaleza.O desejo de crescer na fé despertou a necessidade da criação de um grupo de oração, que se reunia, inicialmente, na Igreja de São Francisco, com a participação da Irmã Maria Alice. Com o crescimento do número de participantes, sobretudo dos que residiam pró ximos da Matriz, surge novo grupo, na capela da casa das Irmãs Sacramentinas, na Taboqueira.Após a participação de Terezinha Nogueira Lucena (Dra. Teresa) no Renascer, em Fortaleza, e, do sopro do Espírito Santo, surge a Renovação Carismática Católica na nossa paróquia.

         Com a graça de Deus, participei dos primeiros gru pos bíblicos, da Pastoral da Saúde, da primeira turma de participantes do Cursilho de Cristandade feminino da nossa paróquia e do primeiro Encontro de Casais com Cristo de Brejo Santo.

          Fui uma das monitoras das primeiras turmas de cris mandos, junto com Giseulda e as Irmãs Maria Alice e Rosá rio.Tive também a graça de ser instru mento de Deus na im planta ção da Pastoral da Comunicação, junto com a irmã Ali ce e Francisco de Assis (Chico da CODAGRO), levando ao ar o primeiro programa bíblico, que veio depois chamar-se “Bíblia Deus com a Gente”, e que até hoje está no ar, ao amanhecer do dia, na Rádio Sul Cearense.Pouco depois, Dra. Teresa, coordenando um grupo de membros da RCC, inicia o“Programa Momentos com Maria”, com a reza do terço e meditação da palavra de Deus, liderando a audiência da Rádio Sul Cearense, até hoje. Surgiram, depois, os programas das Pastorais, atualmente no horário de meio-dia, levando aos ouvintes 15 minutos de mensagem cristã, diariamente; o da forania, aos domingos, com a participação das paróquias que conosco a compõem.

         Foi também neste espaço de tempo que eu tive a felicidade de conhecer o AA, o AL-ANON e o ALATEEN, pro gramas que oferecem ajuda aos alcoólatras, aos seus fami iares adultos e aos familiares menores de 18 anos (crianças e adolescentes).A riqueza da programação deles é incalculável e o bem que eles têm feito à humanidade é ilimitado, contudo, o preconceito ainda é maior, a ponto da sociedade não valorizá-los e até discriminá-los e boicotá-los, sobretudo na nossa cidade.Infelizmente, muitos pensam que é melhor tentar esconder a doença do alcoolismo do que encará-la, aceitá-la e aprender a conviver com ela, monitorando a sua impotência, e, vivendo um dia de cada vez.A sabedoria e a eficácia do método criado pelos Alcoólicos Anônimos correu o mundo inteiro e já é adaptada a progra mas de recuperação de muitos outros grupos de dependentes, como por exemplo: drogados (Narcóticos Anônimos e NA – ALANON) compulsivos alimentares, sexuais, etc, etc, etc, e até mesmo pela Igreja, na Canção Nova, com o PHN (Por Hoje Não).“Maravilhas nunca faltam ao mundo; o que sempre falta é a capacidade de senti-las e admirá-las”.

         Foi nos anos oitenta que meus filhos, Neusa Regina e Rogério, fizeram sua primeira Eucaristia e que Nazinha e Rosângela casaram-se.

         No último ano do decênio, nos mudamos para nossa casa nova, no loteamento Neusa Santana, à rua Balbina Via na Arrais, onde até hoje residimos.

         O engajamento nas pastorais, a participação no AL-ANON e o serviço voluntário foram as forças que me susten taram, quando no fim desta década, perdi meu pai do conví vio quotidiano.Só o amor, só Deus, preenche realmente os nossos vazios.

        Tanto eu como Brejo Santo crescemos muito nestes dez anos, sobretudo espiritualmente.

        Sou grata a todos os irmãos de caminhada, especialmente às Irmãs Alice, Rosário, Rita Angélica, Cislene e às amigas Giseulda, Ivanilda e Teresinha No gueira, que com muito amor sempre me apoiaram e me aceitaram como sou.
marineusa
Enviado por marineusa em 01/10/2006
Reeditado em 26/10/2006
Código do texto: T253781

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Sobre a autora
marineusa
Brejo Santo - Ceará - Brasil, 71 anos
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