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Dinheiro e felicidade

Dinheiro e felicidade
 
"Do que adianta ter dinheiro se não se tem saúde?"- Passei por um grupo de pessoas na rua e uma lançou esta pergunta. Nada eu tinha com o assunto, mas minha mente sarcástica "lançou" a seguinte resposta: "Para pagar médico particular e não padecer na fila do SUS". Dinheiro não traz felicidade, mas viver na miséria também não, afinal pobre também adoece.
Existem os miseráveis que se alimentam com restos alheios, existem os que comem feijão com arroz todos os dias, os que deixam de pagar conta para comer em restaurante bom, os que se alimentam e vivem bem com esforço, aqueles para os quais pagar R$ 50,00 num almoço não significa "custo" algum. O personagem Caco Antibes dizia que "pobre adora cajuzinho", mas a quais "pobres" se referia? Existem aqueles que nem sabem o gosto de tal docinho.
Existem aqueles que tem demais, o supérfluo do supérfluo, e aqueles que não tem o básico, o necessário para uma vida digna, eis, pois, a questão: Dinheiro não traz felicidade? Só ele apenas não, contudo, o pouco para aquele que tem em demasia dado ao que nada tem faria este mais feliz, e propiciaria àquele a descoberta de valores muito além dos monetários, porque dinheiro demais, pode atrapalhar, deturpar valores e criar confusões: o ter "tudo" pode criar um vazio tão sofrível como o de não ter "nada".O meio termo aristotélico é algo salutar até nas fortunas.
Viver bem, poder comprar o que se deseja é bom, mas melhor ainda é aprender a dar valor ao trabalho e ao seus resultados. Feliz daquele que outrora tinha sonhos, outrora desejava comprar e não podia, e hoje, graças a seu esforço consegue. Dinheiro ganho com o próprio suor é uma massagem na auto-estima, no ego.
Por outro lado, quem sempre ganhou tudo sem precisar se esforçar não sente esta alegria, não sabe o que é precisar batalhar por algo, e, por mais incrível que possa parecer esta situação reforça muito mais o amor-próprio do homem, do que saber que tem tudo na hora que deseja. E, bem ou mal, a auto-estima não esta ligada a conta bancária, mas ao mérito por te-lá, quem tem uma recheada sem ter se esforçado não sente a mesma felicidade daquele que sabe a origem de cada "real" que habita na sua.
Se a pergunta da mulher fosse: "Do que adianta ter dinheiro se não se tem amor?". A resposta seria outra: Nada. Ajuda, porém a seduzir pessoas frívolas para serem companhias decorativas, a comprar carros caros (e grandes) para inflar o ego pequeno, porque dinheiro não compra amor-próprio, auto-estima, muito menos, o amor alheio. Não compra os prazeres psíquicos que quem ama e é bem amado têm.
Mas que paga um bom psicólogo e um excelente psiquiatra, isso paga. Também paga vinho francês, whisky escocês, filé mignon, e uma bela "acompanhante". Só que psicanalista algum pode solucionar todos os problemas daquele que, nem sozinho conseguiu descobrir o seu caminho (mesmo podendo viajar para qualquer lugar do mundo(, da mesma forma que nenhuma bebida alcoólica importada ou a ilusão de uma bela (e interesseira) companhia é o elixir da felicidade. São apenas ilusões. Superficialidades que o dinheiro paga, mas o coração não sente. Não por muito tempo.
 
Cláudia de Marchi
 
Passo Fundo, 27 de setembro de 2006.
Cláudia de Marchi
Enviado por Cláudia de Marchi em 02/10/2006
Código do texto: T254318
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Sobre a autora
Cláudia de Marchi
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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Cláudia de Marchi