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Descobertas

Nesses últimos tempos, aprendi mais sobre mim mesma. O processo dos meus quase 24 anos abriu caminhos e apontou outras portas, novas janelas, diferentes lições. E, mesmo que continue sendo a eterna “nenenzinha” do papai e da mamãe, eu, meio à contra-gosto, cresci. Cresci e apareci.

Aprendi que não gosto de “causar”, de fazer cena, de fingir um porre e de agüentar papos imbecis. Descobri que fofocas me fazem mal, assim como pessoas fúteis demais e inteligentes de menos. Percebi que o passado não pode ser apagado, mas que a memória seletiva é algo que funciona muito bem. E, incrivelmente, consegui ignorar e esquecer boa parte de momentos dispensáveis da minha vida.

Finalmente me convenci que ser simpática com a humanidade inteira é humanamente impossível. E chato. Muitíssimo chato. Não me forço a falar o que não tenho vontade e a quem não tenho vontade. Seleciono as perguntas e filtro bem as respostas.

Descobri que posso ser organizada quando quero. Quando quero, é verdade. O problema é que, na maioria vezes, eu não quero mesmo. A vida de semi-casada me trouxe responsabilidades e habilidades que desconhecia. Sou capaz de limpar a cozinha, lavar a roupa, estendê-la no varal, guardar a louça sem quebrar pratos, higienizar o banheiro sem ter ataques de frescura e até tirar o lixo, embora essa última parte seja a mais cruel de todas.

Não prendo mais o choro. Sem medo de parecer melodramática, abro a torneira sempre que me dá vontade. Choro sem me sentir ridícula, principalmente naqueles filmes em que o mocinho morre no final. Vergonha das minhas lágrimas? Eu tenho é orgulho delas. Sinal de que um coração bate bem forte aqui dentro. E que ele não é feito de pedra.

Sou desbocada sem vergonha nenhuma. Compreendi que isso não me torna aquém de ninguém. Mulher que não fala palavrão porque acha “feio” não sabe o que está perdendo. Um “puta-que-pariu” empregado em momentos oportunos, é capaz de atenuar o stress e a raiva contida. Um “vai-tomar-no-cú” pronunciado com vontade e a quem merece, provoca um alívio imediato dos sintomas da cólera.

Percebi o quão constrangedor é ter assunto com quem não se têm assunto. Criar uma pauta sem nexo é pior do que aquele silêncio em que nossos olhos perdem o foco e que uma voz em nossa cabeça grita desesperadamente: “Meu Deeeeeeus, o que eu posso dizer agora?” . Não consigo mais forçar uma conversa com quem não consigo conversar. Se não tenho papo, mato o papo por ali.

Aprendi que a espontaneidade é uma qualidade rara e a hipocrisia um defeito comum. Grande novidade! Pois é, mas eu só descobri isso agora. Dei-me o direito de ser autêntica e recuperei felicidade e paz de espírito. Também percebi que ser verdadeiro e legítimo irrita muita gente por aí. E olhem a minha cara de preocupação.

Enfim, compreendi que os outros devem me aceitar com essas minhas inevitáveis imperfeições. E, ao invés de fazerem cara feia para o que não aprovam, comecem a pensar mais sobre ser, não ser, eis a questão. Quando se derem conta do quanto de si há perdido em si mesmos, uma grande metamorfose vai dar direito à felicidade e a liberdade de sentidos e sentimentos. E digo de antemão: ser livre para viver do jeito que queremos é a melhor sensação que pode existir no mundo inteiro. E vicia.
pann
Enviado por pann em 03/10/2006
Código do texto: T255546
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Sobre a autora
pann
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 34 anos
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