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A lição do oleiro

Desci a casa do oleiro para ver o seu trabalho. Barro que sou, quis saber como faz o oleiro para moldar o vaso. Ele pegou um punhado de barro nas mãos e me disse que para ser moldado o barro precisa estar limpo. O barro não tem nenhum valor senão para o oleiro. O oleiro sai em busca do barro e, muitas vezes, só encontra o cascalhão, um tipo de barro sujo e desprezível que só serve para ser chutado e pisado pelos homens. Ele perguntou-me:
- Você já ouviu falar de algum minério ou de uma pedra preciosa que tenha sido oriunda do barro? Para os homens o barro não serve senão para fazer lama e sujar os pés.
Ele me disse que só oleiro pode transformar esse cascalhão sujo e desprezível num barro limpo e pronto para moldado à vontade do oleiro. O primeiro passo é colocá-lo na água para amolecê-lo. Depois de mole, o barro precisa ser limpo das pedras e das raízes que estão misturados. Mas estas pedras e estas raízes machucam a mão do oleiro e precisa então usar as espátulas de plástico, fórmica e ferro, além de estiletes e pinças.
São as ferramentas do oleiro.
A espátula de plástico é usada para o barro mais limpo. O barro que não dá trabalho para o oleiro. É mais fácil de ser moldado. Conforme a dificuldade do oleiro, ele precisa usar ainda a espátula de fórmica ou a de ferro para o barro cheio de pedras ou raízes.
O oleiro precisa usar as ferramentas para não tocar nas impurezas do barro, pois estas, além de machucá-lo, impossibilitam o molde e podem provocar rachaduras quando o vaso passar pelo fogo.
Uma vez que o barro esteja limpo, antes de ir para a roda do oleiro, ele precisa ser amassado, batido. O barro “apanha” do oleiro até ficar agarrado na sua mão. Só então estará pronto para ser moldado. Quanto mais cedo o barro "agarrar" na mão oleiro mais cedo ele para de "apanhar". É primordial que antes o barro tenha passado pela água. Assim também o oleiro necessita de água em todo o processo de moldagem do vaso.
Quando pôs o barro na roda, o oleiro me disse que para ser moldado o vaso depende totalmente do toque do oleiro. Só pelo toque ele consegue sentir toda e qualquer impureza. Por mínima que seja, não passará desapercebida das mãos do oleiro. Conforme o tipo de barro ele usará um tipo de espátula.
Diante dos meus olhos vi o pequeno punhado de barro crescer e tomar forma. Mas oleiro me disse que só é possível o vaso tomar alguma forma quando o oleiro trata o barro por dentro. Pelo toque, o oleiro vai buscando encontrar as impurezas do barro tanto por fora quanto por dentro. O oleiro faz, desfaz e refaz até encontrar a forma desejada.
O oleiro molda o vaso dando-lhe a forma que bem desejar. Não é o vaso que escolhe a sua forma nem o seu tamanho ou a sua espessura. Isso é uma prerrogativa do oleiro. Nas mãos do oleiro o barro se torna um molde pronto para ser um vaso. O barro na roda moldado não é outra coisa senão barro. Só será um vaso depois de passar pelo fogo. O barro precisa resistir bravamente a prova do fogo, pois, se trincar, talvez ainda possa ser restaurado, ainda assim nunca será um vaso inteiro. Será um vaso restaurado. Entretanto, se ele se quebrar, será impossível refazê-lo. Não servirá senão para ser jogado fora.
Então eu perguntei ao oleiro que tipo de barro eu sou? Que tipo de espátula ele precisava usar para me moldar? Ele me respondeu dizendo que eu só preciso saber que eu sou barro e que não posso eu mesmo tirar as minhas impurezas, nenhuma pedra ou raiz sem causar danos ainda maiores. Eu preciso apenas confiar nele e me colocar no centro da sua vontade. Ele usará a ferramenta que for necessária para me deixar pronto para passar pelo fogo.
Eu repliquei dizendo que queria apenas ser um vaso útil nas mãos dele. Ele disse:
- Filho, para ser um vaso útil você precisa apenas refletir a minha glória. Um vaso útil não precisa necessariamente estar cheio, mas disponível para toda obra. Precisa ter um bom conteúdo. E o vaso de melhor conteúdo é um vaso de bênçãos. Contudo, para se tornar um vaso é preciso passar por todo um processo. Primeiro passar pela água, ser amassado, batido, purificado até ficar limpo e em tudo isso se entregar inteiramente à minha vontade, barro sensível ao meu toque.
Ele me perguntou seu estaria disposto a ser um vaso para receber o cascalhão, o barro desprezível pelos homens, mas que, para ele, era matéria prima para fazer vasos de honra.
Assim entendi a lição do oleiro e dispus-me a colocar-me no centro da sua vontade e aceitar que sou apenas barro, pronto a passar pela água, agarrar o quanto antes na sua mão. Aprendi que quem confia no oleiro tem a certeza de vencer a prova do fogo.
Precisamos, portanto, entender que somos barro e que não somos importantes senão para o oleiro. Só temos valor para ele. Somente nas suas mãos podemos tornar vasos úteis, vasos de honra, vasos segundo à vontade do oleiro.
Com toda certeza o mundo que anda tão cheio de perguntas só encontrará as respostas quando todo aquele que é barro descer à casa do oleiro.




(Jeremias 18:1-10)

Palavra do SENHOR que veio a Jeremias, dizendo:
Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras.
Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas.
Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.
Então, veio a mim a palavra do SENHOR:
Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? - diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.
No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir,
se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe.
E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar,
Se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria.


(Romanos 9:21-23)

Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão,


Ivo Crifar
Enviado por Ivo Crifar em 20/10/2010
Reeditado em 30/03/2012
Código do texto: T2567182
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ivo Crifar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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