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QUEM TEM MEDO DO SEGUNDO TURNO?

O segundo turno de uma eleição sempre será uma nova disputa; um novo confronto de idéias e, muitas vezes, permeado de acusações e até mesmo de ofensas entre apenas dois candidatos. Essa é, certamente, a regra desse jogo dito democrático, terreno do exercício da cidadania.
Sendo assim, pelos próximos 20 dias teremos uma acirrada campanha política pela Presidência da República, afora em alguns Estados onde agora, também, só dois candidatos disputarão o cargo de Governador. O que virá por aí não será muito diferente do que nos foi mostrado no primeiro turno; um pouco mais selecionado, talvez. Porém a agressividade dos dois lados deverá ser o tom da campanha. Uma campanha “rodrigueana”, já ouvi dizer, numa referência a Nelson Rodrigues que dispensa maiores considerações. Mas quais foram as causas de um segundo turno? O que levou os dois principais candidatos para uma nova disputa? Um, Geraldo Alckmin, por seu crescimento junto ao eleitorado devido a centenas de fatores. O outro, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República buscando a reeleição, por motivos notórios, para a maioria do povo brasileiro. Porém, penso que alguma coisa tocou os milhões de eleitores que não lhe deram seus votos e que não foram os escândalos de corrupção em seu governo. Alguma coisa além ou aquém dos valores éticos e morais, da consciência doutrinária ou das questões de conteúdo programático.Também não creio que sejam somente esses milhões de eleitores que, tendo votado em Lula em 2002, não lhe deram novamente seus votos. Com certeza um intrincado emaranhado de motivos e razões leva os votos dos eleitores para dentro das urnas. Entretanto penso que o que se acrescentou a essa questão, e em alto grau, tenha sido a arrogância de Lula além de sua bazófia galopante. O povo gosta do lulinha paz e amor; do companheiro operário sempre disposto a ajudar os desvalidos com pequenos benefícios. Gosta do seu jeito humilde e temente. Não gosta do Lula vitorioso; sem medo de nada, quase sempre ameaçador e às vezes com olhar furioso. Os milhões de votos que lhe faltaram são de eleitores que não gostaram de seu líder comparar-se a Jesus Cristo,.Juscelino, Tiradentes; nem de saber que seu sangue tenha servido para uma mega transfusão, ainda que numa metáfora torta. Esses eleitores, mesmo aprovando com altos índices de satisfação o governo Lula, não lhes deram um novo voto. Curioso isso! É como se dissessem: nós gostamos muito de receber mensalmente o dinheirinho que o senhor nos manda mas não gostamos do seu jeito arrogante de nos tratar. Nós não gostamos de ver o senhor falando mal de todo mundo porque tem gente entre eles que nós gostamos muito. Nós não gostamos de ver e ouvir o senhor falando com seu presidencial umbigo porque nós também temos os nossos. E eles são muito bons.
Essa reflexão possível, de milhões de eleitores, espalhou votos; dispersou intenções e fez com que eles fossem parar em outras mãos;nas mãos de outros candidatos. O povo, essa massa sem rosto, não gosta de arrogantes bem sucedidos em seus propósitos pessoais, particulares. Sejam eles quem forem; lulas ou ronaldos. Já sabem que deles nada receberão em troca de seus votos ou de sua torcida apaixonada. Nem benefícios, nem gols. Muita gente, talvez os mais sensíveis, percebeu as mudanças no discurso e no comportamento do Lula candidato e agora seus votos estão a lhe fazer falta. Uma segunda chance, porém, já está garantida. Zeradas as urnas, elas estão novamente à disposição deles. De Geraldo Alckmin, que sempre clamou por um segundo turno, e de Lula, que sempre descartou essa possibilidade, para receber dos eleitores as confirmações de seus votos.Um com ânimo renovado e transferindo esperanças. O outro, ainda valendo-se de seu carisma, agora porém, não mais a prova de riscos.
CESAR CABRAL
Enviado por CESAR CABRAL em 05/10/2006
Código do texto: T257067
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Sobre o autor
CESAR CABRAL
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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